quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Triste Berrante

"Triste Berrante" foi composta por Adauto Santos (1940-1999) e incluída em seu disco homônimo lançado em 1978.

Esta música, ícone do cancioneiro regional brasileiro, foi regravada por muitos artistas brasileiros, como as Irmãs Galvão e a dupla Pena Branca e Xavantinho.



Adauto Santos


Sucesso popular, também chegou à televisão como tema da novela "Pantanal" (1990 - Adauto Santos e Solange Maria), folhetim que fez enorme sucesso na tv brasileira.

TRISTE BERRANTE
(Adauto Santos)

Já vai bem longe esse tempo
bem sei
Tão longe que até penso que
eu sonhei
Que lindo quando a gente ouvia
distante
O som daquele triste berrante
E um boiadeiro a gritar
Eiá!
E eu ficava ali na beira
da estrada
Vendo caminhar a boiada
Até o último boi passar
Ali, passava boi, passava boiada
tinha uma palmeira
na beira da estrada
onde foi cravado muito coração
Mas sempre foi assim
E sempre foi assim
E sempre será
O novo vem e o velho tem
que parar
O progresso cobriu a poeira
da estrada
E esse tudo que é o meu nada
Hoje tenho que acatar
E chorar
Mas mesmo vendo gente,
carros passando
Meus olhos estão enxergando
Uma boiada a passar.


                                          Pena Branca e Xavantinho



                                      Solange Maria e Adauto Santos



                                                   Adauto Santos



                                                      Sérgio Reis



                                                         Wando



                                                      As Galvão



                                           Padre Fábio de Mello



Eu Não Sou Daqui (Eu Sou de Niterói)

O samba em homenagem à cidade de Niterói foi composto em 1941 por Wilson das Neves (1936) e Ataulfo Alves (1909-1969).

Wilson das Neves
"Eu Não Sou Daqui" foi gravado originalmente por Aracy de Almeida e, posteriormente, por Cristina Buarque. Recebeu mais recentemente uma regravação da niteroiense Zélia Duncan.

Ataulfo Alves
EU NÃO SOU DAQUI (Eu Sou de Niterói)
(Wilson das Neves / Ataulfo Alves)

Eu não daqui
Eu sou de Niterói
Sinto muito , mas não posso
Aceitar o seu amor
Na terra de Araribóia
É que eu tenho quem me quer
Passe bem, seja feliz, oi
E até quando Deus quiser
Juro, tenho compromisso
Seu moço, preste atenção
Do outro lado da Baía
Empenhei meu coração
Vou embora até loguinho
Por favor, não leve a mal
Estou em cima da hora
A barca deu o sinal.


                                                    Aracy de Almeida


                                                   Cristina Buarque










Pavão Misterioso

"Pavão MIsterioso" foi composta pelo cearense Ednardo (1945) em 1974 e incluída na trilha sonora da novela "Saramandaia" (1976 e 2013), da TV Globo.

Ednardo
A canção foi composta com base na literatura de cordel e possui mais de 20 regravações, tanto no Brasil (Belchior, Elba Ramalho) como no exterior (Paul Mauriat). Lançada em plena vigência da ditadura militar em nosso país, possui uma crítica ferrenha ao autoritarismo e a ausência da liberdade individual.

O cordel no qual Ednardo baseou sua grande composição chama-se "O Romance do Pavão Misterioso", escrito por José Camelo de Melo Rezende, em 1923. Conta uma aventura aparentemente despretensiosa, mas de grande apelo popular, com raízes nos contos das Mil e uma Noites. "O Pavão Misterioso” possui 141 estrofes de seis versos (sextilhas) de sete sílabas (redondilha maior). É narrada a história da Condessa Creuza, a moça mais bonita da Grécia, conservada pelo pai trancada desde a infância no mais alto quarto de um sobrado.Uma vez no ano, a moça aparece por uma hora ao povo, que vem de longe, só para contemplar-lhe a beleza. Um retrato dela chega até a Turquia, onde mora Evangelista, que se apaixona pela bela figura da jovem. Dirigindo-se à Grécia, ele encomenda a um engenheiro um mecanismo alado – o Pavão Misterioso do título – a bordo do qual consegue chegar até o quarto da moça, raptando-a, depois de vários perigos e dificuldades.

A música é considerada sagrada pelos índios do Xingu nos rituais religiosos. Também usada por outros tantos como hino à liberdade, a beleza humana e sua capacidade de realizar a vida acima das aparentes impossibilidades.

PAVÃO MISTERIOSO
(Ednardo)

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...(2x)

Pavão misterioso
Nessa cauda
Aberta em leque
Me guarda moleque
De eterno brincar
Me poupa do vexame
De morrer tão moço
Muita coisa ainda
Quero olhar...

Pavão misterioso
Meu pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...

Pavão misterioso
Meu pássaro formoso
No escuro dessa noite
Me ajuda, cantar
Derrama essas faíscas
Despeja esse trovão
Desmancha isso tudo, oh!
Que não é certo não...

Pavão misterioso
Meu pássaro formoso
Um conde raivoso
Não tarda a chegar
Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos
Mas não podem voar...

Fonte: O Planeta é nosso.


                                                         Ednardo


                                                    Fernanda Takai


                                                 Ney Matogrosso


                                                         Paul Mauriat

                                                    Elba Ramalho


Jura Secreta

"Jura Secreta" é uma composição de Abel Silva (1945) e Sueli Costa (1943).

Abel Silva
Mesmo tendo ocupado quartos de frente do legendário Solar da Fossa e, anos depois, sido vizinhos em Ipanema, Sueli Costa e Abel Silva jamais haviam feito um música juntos antes de “Jura Secreta”. Foi Abel quem procurou Sueli, por meio de uma carta com uma letra da qual nasceria esta canção. Como grande parte do que se escrevia na ocasião, a letra expunha de forma metafórica reflexões sobre o amordaçamento geral imposto pela ditadura. Eram versos estranhos, aparentemente contraditórios, que afirmavam negações e negavam afirmações: “Só uma coisa me entristece/ o beijo de amor que eu não roubei/ (...)/ nada do que eu quero me suprime/ do que por não saber inda não quis/ (...)/ só o que me cega, o que me faz infeliz/ é o brilho do olhar que não sofri/ (...)/ só uma palavra me devora/ aquela que o coração não diz...” Nestes dois últimos versos, o âmago do poema, Abel na se referia uma palavra específica, mas ao (não) uso da palavra, ou seja, ao silêncio involuntário.

Sueli Costa
Lida a carta, Sueli sentiu no primeiro momento como deveria ser a melodia, compondo de estalo a terna canção, que seria levada com outras inéditas para Maria Bethânia, na época preparando o show “Pássaro da Manhã”, no Teatro da Praia. Todavia, como Bethânia optou por “Coração Ateu”, gravado por ela em 75, Sueli pôde então atender Simone, que selecionava repertório para um novo disco e acabou escolhendo “Face a Face” e “Jura Secreta”.

A gravação de “Jura Secreta” foi atribulada, tendo acontecido duas tentativas, uma com um grupo de músicos, a outra com dois violões, ambas frustrantes, o que deixou Simone tão perturbada que chegou a menosprezar a letra de Abel. Daí os ânimos só viriam a serenar com uma intervenção de Gozaguinha, seguida da sugestão de Sueli, para que a cantora gravasse apenas com o teclado de Gilson Peranzzetta, que criaria para a composição um acompanhamento bluesy ao piano Fender. Logo na primeira tentativa Simone chegou a se engasgar de emoção, prevalecendo a segunda, que acabou sendo o grande sucesso do álbum Face a face.

Isso foi uma surpresa para os incrédulos compositores que sabiam ser “Jura Secreta” uma dessas canções classificadas como difíceis na gíria musical. Sua leitura seria até recomendada por psiquiatras para ajudar seus pacientes no processo de auto conhecimento.

Tempos depois do lançamento, Simone diria o recado a Sueli que se tivesse composto “Jura Secreta” trocaria o título para “Auto Retrato”.

Entre as gravações desta canção destacam-se as da autora, no elepê Louça fina e a de Fagner, em Quem viver chorará, além da de Simone, naturalmente.

"Jura Secreta" esteve presente na trilha sonora das novelas: "Memórias de Amor" (Simone / 1979), "Da Cor do Pecado" (Zélia Duncan / 2004)

Fonte: A CANÇÃO NO TEMPO(Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo)

JURA SECRETA
(Sueli Costa e Abel Silva)

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada que eu quero me suprime
De que por não saber
'Inda não quis
Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Sol que me cega
O que me faz infeliz
É o brilho do olhar
Que não sofri.


                                           Simone - "Jura Secreta" / 1977

                                         
                                         Zélia Duncan e Simone - "Jura Secreta"


                                        Fagner - "Jura Secreta" / 1978


                                          Wanderléa - "Jura Secreta"


                                         Zizi Possi - "Jura Secreta"


Retalhos de Cetim

“Retalhos de Cetim” foi composto ao tempo em que Benito Di Paula(1941) morava no bairro paulistano da Bela Vista. Curiosamente, embora pianista Benito o compôs ao violão.

Lançado em um show que ele fazia no Teleco-Teco, “Retalhos de Cetim” agradaria em cheio os habituées da casa, entre os quais se incluíam os sambistas Ciro Monteiro e Monsueto.

Foi graças ao prestígio deste samba que Benito seria convidado a gravar na Copacabana, embora, paradoxalmente, a música escolhida para o compacto de estréia tenha sido “Ela”, mais tarde também gravada por Jair Rodrigues.

Desprezado por ser considerado muito romântico, “Retalhos de Cetim” só entraria no segundo compacto, iniciando de imediato sua escalada para o sucesso, que projetou o nome do autor no país e até no exterior, onde a composição ganhou gravações como as realizadas pela orquestra de Paul Mauriat e o guitarrista americano Charlie Byrd.

“Retalhos de Cetim” conta a história de um sambista que ensaia o ano inteiro, compra surdo, tamborim e uma fantasia de retalhos de cetim para uma cabrocha que jurou desfilar por ele(“Gastei tudo em fantasia / era só o que eu queria / e ela jurou desfilar por mim”). Mas, como a cabrocha não cumpre a promessa, Benito deu ao samba um tom lamentoso, o que de certa forma induz a participação da platéia nas pausas, uma das razões que o ajudaram a se popularizar: “Mas chegou (mas chegou) o carnaval (o carnaval) / e ela não desfilou / eu chorei na avenida, eu chorei / não pensei que mentia / a cabrocha que eu tanto amei.”

Fonte: MPB Cifrantiga.

RETALHOS DE CETIM
(Benito Di Paula)

Ensaiei meu samba o ano inteiro,
Comprei surdo e tamborim.
Gastei tudo em fantasia,
Era só o que eu queria.
E ela jurou desfilar pra mim,
Minha escola estava tão bonita.
Era tudo o que eu queria ver,
Em retalhos de cetim.
Eu dormi o ano inteiro,
E ela jurou desfilar pra mim.
Mas chegou o carnaval,
E ela não desfilou,
Eu chorei na avenida, eu chorei.
Não pensei que mentia a cabrocha,que eu tanto amei.

Cantores do Rádio

A música foi composta por Alberto Ribeiro (1902-1971), João de Barro, o Braguinha (1907-2006), e Lamartine Babo (1904-1963).

“Segundo o pesquisador Suetônio Soares Valença, a marcha "Cantores do Rádio" foi composta dentro de um ônibus, depois de uma noitada em que os três haviam perdido todo o dinheiro apostado no Cassino da Urca. Entusiasmado com a canção concebida no banco de trás do lotação, o trocador teria dispensado-os dos vinténs da passagem."

"Cantores do Rádio" representou a primeira e única vez na qual as irmãs Carmen e Aurora Miranda apareceram juntas em um filme. Elas interpretaram a canção, enorme sucesso gravado em 1936, no filme "Alo, Alo, Carnaval".

Além de estar presente na trilha sonora do filme "Alo, Alo Carnaval" ( Aurora e Carmen Miranda / 1936 ), esteve também na trilha do filme "Quando o Carnaval Chegar" ( Chico Buarque, Maria Bethânia e Nara Leão / 1972 ).

Fonte: Cliquemusic.

CANTORES DO RÁDIO
( Alberto Ribeiro / Braguinha / Lamartine Babo )

Nós somos as cantoras do rádio
Levamos a vida a cantar
De noite emabalamos teu sono
De manhã nós vamos te acordar

Nós somos as cantoras do rádio
Nossas canções, cruzando um espaço azul,
Vão reunindo
Num grande abraço
Corações de norte a sul

Canto pelos espaços afora
Vou semeando cantigas
Dando alegria a quem chora

Canto pois sei
Que a minha canção
Faz estancar a tristeza que mora
No teu coração

Canto pra te ver mais contente
Pois a ventura dos outros
É a alegria da gente

Canto e sou feliz só assim
E agora peço que cantem
Um pouquinho pra mim.

Marcha da Quarta Feira de Cinzas

"Marcha da Quarta-Feira de Cinzas" foi composta em 1963 por Carlos Lyra (1936) e Vinícius de Moraes (1913/1980).

A melodia foi composta por Carlos Lyra. Vinícius de Moraes então colocou letra nesta pérola da MPB.

Composta antes de 1964, a “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas” é assim uma espécie de protesto premonitório contra a realidade imposta pela ditadura militar. Pertence àquela fase inicial do CPC (Centro Popular de Cultura) em que Carlos Lyra incorpora à sua obra uma temática político-nacionalista, tendo sido feita no mesmo dia em que ele e Vinícius haviam concluído o “Hino da UNE” (“De pé a jovem guarda / a classe estudantil / sempre na vanguarda / trabalha pelo Brasil...”).

Mas, com sua mensagem disfarçada no lirismo melancólico de uma marcha-rancho, a composição pode ser considerada um belo exemplar do gênero música de protesto: “Acabou nosso carnaval / ninguém ouve cantar canções / ninguém passa mais brincando feliz / e nos corações / saudades e cinzas foi o que restou...” A passagem com o acorde de sétima maior de dó antecedendo a frase “e no entanto é preciso cantar”, após a pungente primeira parte, cria um momento mágico, na medida em que envolve a platéia inteira e a faz cantar suavemente embalada por um simples violão.

Um clássico de seu tempo, a “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas” é uma daquelas raras canções capazes de encerrar com elevada dose de emoção um espetáculo musical. Embora consagrada pela voz de Nara Leão, teve sua gravação inicial por Jorge Goulart em fevereiro de 1963.

A canção fez parte da trilha sonora da novela "Fera Ferida" Vol.2 ( 1993/94 - Leila Pinheiro).

Fonte: A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34.

MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
( Carlos Lyra / Vinícius de Moraes )

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida feliz a cantar

Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar
De que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando
Seu canto de paz.

A Voz do Morro

Esta música foi composta por Zé Keti (19121/1999) em 1952. Na época já existia a intenção de praticar uma política de remoção de favelas, que servia ao mesmo tempo à especulação imobiliária e a um ideal de "embelezamento" e ordenação urbana que simbolizava o progresso capitalista, sob a égide da "ordem". Tentaram na favela do Jacarezinho, mas a resistência organizada dos moradores impediu. Este projeto só pôde ser plenamente implantado após o golpe de 1964, quando os militares golpistas e seus lacaios no governo do estado do Rio de Janeiro podiam fazer uso mais aberto da violência para massacrar a resistência das populações faveladas.

Os defensores da política de remoção de favelas utilizavam como arma ideológica o "argumento" de que a favela era um reduto de marginais e vagabundos, para justificar as políticas das classes dominantes. Os moradores dos morros e favelas eram, e ainda são, também excluídos do direito à expressão de suas idéias, anseios, manifestações artísticas e culturais. Em suma, do direito à voz. Zé Keti veio, em seu nome, "mostrar ao mundo que tenho valor" e assim, dar sua contribuição para desmontar o argumento ideológico da marginalidade do morador de favela.

Depois do golpe, com a repressão à imprensa, não se poderia divulgar as violências praticadas contra aqueles que resistissem à política oficial. Isso facilitou a implementação daquelas políticas. Mesmo assim, corajosamente, nosso herói desafiava em "Opinião":

"Podem me prender,
Podem me bater,
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião,
Daqui do morro, eu não saio não."

E, de fato, batiam, prendiam, deixavam sem comer e, mais do que isso, torturavam, matavam, faziam desaparecer... e queimavam os barracos dos que se recusavam a sair, como na favela da Praia do Pinto. Batiam como bateram ao invadir o espetáculo "Opinião", em São Paulo.

Extraído de Luiz Elias Sanches, Mestrando da CPDA/UFRRJ.

"A Voz do Morro" foi gravada por Jorge Goulart em 1955. Fez parte da trilha sonora do filme "Rio 40 graus", de Nelson Pereira dos Santos, onde Zé Kéti fez uma ponta como ator e a música tornou-se grande sucesso nacional. A música esteve presente ainda na trilha da novela "Insensato Coração" - samba (2011 - Marcos Sacramento).

Fonte: Paixão e Romance.

A VOZ DO MORRO
(Zé Keti)

Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei do terreiro

Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões de corações brasileiros

Salve o samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo de um país
Salve o samba, queremos samba
Essa melodia de um Brasil feliz.

A Volta do Boêmio

Samba-canção composto por Adelino Moreira (1918/2002), foi o maior sucesso da carreira do cantor Nelson Gonçalves.

A canção permaneceu inédita por quatro anos e vendeu mais de um milhão de discos vendidos quando lançada em 1956 por Nelson Gonçalves, chegando depois a dois milhões de discos, tornando-se uma das suas principais obras gravadas.

A letra da música trata de um homem que pede permissão para retornar à sua antiga vida boêmia, a qual havia anteriormente abandonado pelo amor de uma mulher. É dito também na letra que é a pedido da própria mulher que o personagem faz tal retorno.

Esta canção teve diversas outras gravações de artistas, como Cauby Peixoto, Agnaldo Rayol, Agnaldo Timóteo, Sidney Magal, Teixeirinha, Pery Ribeiro, Danilo Caymmi, Núbia Lafayette, Joanna, Carlos Alberto, Antônio Marcos, Moreira da Silva, Adilson Ramos, Pato Fu (no álbum "Gol de Quem?"), entre outros.

Esteve presente na trilha sonora complementar da novela "Gabriela" - Uma Noite no Bataclan (Nelson Gonçalves / 1975), da novela "Quem É Você?" (Nelson Gonçalves / 1996) e do filme "Nelson Gonçalves" (Nelson Gonçalves / 2001).

A VOLTA DO BOÊMIO
(Adelino Moreira)

Boemia, aqui me tens de regresso
E suplicante te peço a minha nova inscrição.
Voltei pra rever os amigos que um dia
Eu deixei a chorar de alegria; me acompanha o meu violão.
Boemia, sabendo que andei distante,
Sei que essa gente falante vai agora ironizar:
"Ele voltou! O boêmio voltou novamente.
Partiu daqui tão contente. Por que razão quer voltar?"
Acontece que a mulher que floriu meu caminho
De ternura, meiguice e carinho, sendo a vida do meu coração,
Compreendeu e abraçou-me dizendo a sorrir:
"Meu amor, você pode partir, não esqueça o seu violão.
Vá rever os seus rios, seus montes, cascatas.
Vá sonhar em novas serenatas e abraçar seus amigos leais.
Vá embora, pois me resta o consolo e alegria
De saber que depois da boemia
É de mim que você gosta mais".

Coisinha do Pai

O excelente e inesquecível samba "Coisinha do Pai", composto por Jorge Aragão (1/3/1949), Almir Guineto (12/7/1946) e Luiz Carlos, foi lançada no álbum "Beth Carvalho no Pagode" (1979), de Beth Carvalho.

“Coisinha do Pai” foi composta originalmente por Jorge Aragão para embalar o sono de suas filhas Vânia e Tânia. Foi também um dos maiores sucessos do tradicional bloco carnavalesco carioca Cacique de Ramos.

Essa música, inclusive, foi levada além de fronteiras terrenas, pois ganhou uma gravação especial em 1997 para “acordar” o robô Mars Pathfinder, que foi enviado à Marte pela Nasa.

COISINHA DO PAI
(Jorge Aragão / Almir Guineto / Luiz Carlos)

O Coisinha Tão Bonitinha Do Pai
O Coisinha Tão Bonitinha Do Pai
O Coisinha Tão Bonitinha Do Pai
A Coisinha Tão Bonitinha Do Pai

Voce Vale Ouro todo O Meu Tesouro
Tao Formosa Da Cabeça Aos Pés
Vou Lhe Amando Lhe Adorando
Digo Mais Uma Vez
Agradeço A Deus Por Que Lhe Fez

O Coisinha Tão Bonitinha Do Pai
O Coisinha Tão Bonitinha Do Pai
O Coisinha Tão Bonitinha Do Pai
A Coisinha Tão Bonitinha Do Pai

Charmosa é Tão Dengosa
Que Só Me Deixa Prosa
Tesouro é Que Vale Ouro
Agradeço A Deus Por Que Lhe Fez

O Coisinha Tão Bonitinha Do Pai
O Coisinha Tão Bonitinha Do Pai
O Coisinha Tão Bonitinha Do Pai
A Coisinha Tão Bonitinha Do Pai.

Saudade da Minha Terra (Adeus Paulistinha)

"Saudade da Minha Terra", popularmente conhecida como, "Adeus Paulistinha" foi composta pela dupla Goiá (1955-1981) e Belmonte (1937-1972).

A letra foi composta por Goiá (Gerson Coutinho da Silva) devido a saudade imensa que sentia de suas raízes. de sua terra natal, Coromandel, Minas Gerais.

Por diversar vezes, quando sozinho, Goiá ouvia nitidamente obarulho da chuva na telha de barro comum do seu quarto de infância, enquanto o cheiro de terra molhada penetrava por toda a casa, e assim carregava consigo a certeza de que rra preciso refazer tudo isso outra vez, porque o homem sem a lembrança viva de sua terra, seus amigos, é um condenado a viver em terra estranha e não mais saber quem é ele mesmo. Mas para visitar seu povo e sua terra. Goiá queria passar primeiro por São Paulo; queria concretizar de vez aquilo que sabia fazer: cantar e compor.

Dizia... "È da solidão e de saudade que minha inspiração se nutre, mas qual é amedida correta para avaliar o sucesso". Então telegrafou para o Sinval Pereira e aí só faltava o bilhete de despedida que veio sair nos versos de "Saudade da Minha Terra"

Em novembro de 1955, quando mudava definitivamente para São Paulo e é bom lembrar que antes de ganhar o título de "Saudade da minha terra", chamava-se "Manhãs na Roça", e que Belmiro e Belmonte foi a primeira dupla a gravá-la, não fazendo sucesso, em seguida, com Belmonte e Amaraí, aí sim com muito sucesso.


SAUDADE DA MINHA TERRA
(Goiá / Belmonte)

De que me adianta viver na cidade
Se a felicidade não me acompanhar
Adeus, paulistinha do meu coração
Lá pro meu sertão quero voltar
Ver a madrugada, quando a passarada
Fazendo alvorada começa a cantar
Com satisfação arreio o burrão
Cortando o estradão saio a galopar
E vou escutando o gado berrando
Sabiá cantando no jequitibá

Por nossa senhora, meu sertão querido
Vivo arrependido por ter te deixado
Esta nova vida aqui na cidade
De tanta saudade, eu tenho chorado
Aqui tem alguém, diz que me quer bem
Mas não me convém, eu tenho pensado
Eu fico com pena, mas essa morena
Não sabe o sistema que eu fui criado
Tô aqui cantando, de longe escutando
Alguém está chorando com o rádio ligado.

Que saudade imensa do campo e do mato
Do manso regato que corta as campinas
Aos domingos ia passear de canoa
Nas lindas lagoas de águas cristalinas
Que doce lembrança daquelas festanças
Onde tinham danças e lindas meninas
Eu vivo hoje em dia sem ter alegria
O mundo judia, mas também ensina
Estou contrariado, mas não derrotado
Eu sou bem guiado pelas mãos divinas

Pra minha mãezinha já telegrafei
E já me cansei de tanto sofrer
Nesta madrugada estarei de partida
Pra terra querida, que me viu nascer
Já ouço sonhando o galo cantando
O inhambu piando no escurecer
A lua prateada clareando a estrada
A relva molhada desde o anoitecer
Eu preciso ir pra ver tudo ali
Foi lá que nasci, lá quero morrer.

Cabocla Tereza

Esta é uma das toadas históricas da imortal dupla Raul Torres (1906 - 1970) e João Pacífico (1909 - 1998).

Os dois compositores foram criadores do gênero "Toada Histórica", o famoso "falar e cantar" que imortalizou "Chico Mulato" e "Cabocla Tereza", músicas essas que enfrentaram dificuldades técnicas no início, pois, como as músicas duravam mais de 3 minutos, não caberiam jamais em apenas um lado do disco. Após uma estudada e experimentada "maior aproximação entre os sulcos" do disco, finalmente foi gravada e os discos de "Chico Mulato" foram tocados nas rádios, alcançado estrondoso sucesso. Daí para "Cabocla Tereza", foi "um pulo", pois o diretor da gravadora passou a querer "mais daquelas de falar e cantar".

João Pacífico conta que uma vez Mister Evans, chairman da Colúmbia no Brasil, mandou cortar um pouco a orquestração, apertar um pouquinho, imprimir um pouco mais depressa, enfim, mandou dar um jeito para que a música coubesse todinha em um lado do 78RPM, mas "o interessante é que ele gostou, e mandou me avisar que quando fizesse outras músicas, fizesse daquele jeito de – e capricha no sotaque – falar e cantar. Segui o conselho e logo em seguida não só fiz com o proseado e canto, mas fiz a minha primeira vítima em música: matei a personagem." A música é a hoje clássica “Cabocla Tereza”, gravada em 1936.

A primeira gravação de “Cabocla Tereza” foi feita pelo Raul Torres (proseado) e Florêncio (parte cantada), é até hoje ainda gravada. Sem dúvida alguma, é uma das composições mais conhecidas de Pacífico. A história de um sujeito que, enciumado, possessivo, acaba matando a amada porque ela "felicidade não quis".
Esta é uma das músicas mais conhecidas do cancioneiro nacional. Composta cerca de quatro anos antes da data de gravação, Cabocla Tereza se encaixa perfeitamente na argumentação que João Pacífico dá à aceitação das suas músicas. Para ele, o caboclo gosta de história completa, gosta de música que tem começo, meio e fim, gosta dessa coisa de folhetim, de história como se fosse notícia de jornal.
"O caboclo é muito simples nisso, ele gosta muito que uma música conte uma história, uma história com a qual ele se identifique. Eu percebi isso quase que sem querer, apenas sentindo a aceitação do público pela minha música", conta Pacífico.
Existe um questão que intriga o compositor com relação a esta música: "Olha, quase todas as duplas do país já gravaram músicas minhas e, ainda hoje, chega gente aqui em casa e fala: "Seu João, a gente queria gravar Cabocla Tereza", e eu respondo: mas a Cabocla Tereza já tá velha, já teve enfarte. Tem tanta coisa nova por aí, mas não, eles insistem e eu tenho que deixar."

Velha, enfartada ou não, o fato é que esta música virou roteiro e depois filme. Filme que deu chances para que João Pacífico pudesse utilizar suas qualidades de compositor num trabalho, para ele, até então inédito, aliás, dois: trabalhar sob encomenda e fazer uma trilha para cinema. Para isso o compositor assistiu ao copião e depois sentou – era um início de noite – numa austera mesa de jacarandá que existe em sua sala de visitas. Quando começou a amanhecer o dia, o trabalho estava feito: cada trecho – para ele - importante do filme tinha uma música que se encaixava com o clima. Pacífico aproveita a deixa do filme e reclama que a Chantecler, gravadora que lançou o disco, só lhe deu um, que foi roubado. em 1982., O filme com o mesmo nome,foi dirigido e estrelado por Sebastião Pereira, com Zélia Martins no papel de Tereza e a participação especial de Jofre Soares.

CABOCLA TEREZA
( Raul Torres / João Pacífico)

"Lá no alto da montanha
Numa casinha estranha
Toda feita de sapê
Parei numa noite à cavalo
Pra mór de dois estalos
Que ouvi lá dentro bate
Apeei com muito jeito
Ouvi um gemido perfeito
Uma voz cheia de dor:
"Vancê, Tereza, descansa
Jurei de fazer a vingança
Pra morte do meu amor"
Pela réstia da janela
Por uma luzinha amarela
De um lampião quase apagando
Vi uma cabocla no chão
E um cabra tinha na mão
Uma arma alumiando
Virei meu cavalo a galope
Risquei de espora e chicote
Sangrei a anca do tar
Desci a montanha abaixo
Galopando meu macho
O seu doutô fui chamar
Vortamo lá pra montanha
Naquela casinha estranha
Eu e mais seu doutô
Topemo o cabra assustado
Que chamou nóis prum lado
E a sua história contou"
Há tempo eu fiz um ranchinho
Pra minha cabocla morá
Pois era ali nosso ninho
Bem longe deste lugar.
No arto lá da montanha
Perto da luz do luar
Vivi um ano feliz
Sem nunca isso esperá
E muito tempo passou
Pensando em ser tão feliz
Mas a Tereza, doutor,
Felicidade não quis.
O meu sonho nesse oiá
Paguei caro meu amor
Pra mór de outro caboclo
Meu rancho ela abandonou.
Senti meu sangue fervê
Jurei a Tereza matá
O meu alazão arriei
E ela eu vô percurá.
Agora já me vinguei
É esse o fim de um amor
Esta cabocla eu matei
É a minha história, dotor.

Fonte: Boa Música Brasileira / Viola Caipira.

Meu Erro

"Meu Erro" é um pop-rock composto por Herbert Vianna (1961) e lançada em 1984, com enorme sucesso.

Foi lançada em 1984 no LP O Passo do Lui, dos Paralamas do Sucesso (grupo de Herbert), que além dessa canção teve outras como "Óculos", "Me Liga" e "Romance Ideal", que viraram hit e fizeram dessa banda uma febre nacional.

A música trata dos percalços de um relacionamento amoroso mal sucedido. Existe uma versão, não confirmada pelo autor, que a música foi composto por após uma decepção amorosa do compositor em um relaciomanto com Paulo Toller.

Herbert Vianna diz que só percebeu uma maior profundidade na letra da canção quando ela foi regravada por Zizi Possi, tendo convidado a cantora para dividir o palco do Acústico MTV nos vocais dessa canção. A parceria foi tão boa que Herbert acabou compondo para Zizi outra bela música, "Eu Só Sei Amar Assim".


MEU ERRO 
(Herbert Vianna)


Eu quis dizer
Você não quis escutar
Agora não peça
Não me faça promessas...
Eu não quero te ver
Nem quero acreditar
Que vai ser diferente
Que tudo mudou...
Você diz não saber
O que houve de errado
E o meu erro foi crer
Que estar ao seu lado
Bastaria!
Ah! Meu Deus!
Era tudo o que eu queria
Eu dizia o seu nome
Não me abandone...
Mesmo querendo
Eu não vou me enganar
Eu conheço os seus passos
Eu vejo os seus erros
Não há nada de novo
Ainda somos iguais
Então não me chame
Não olhe pra trás...
Você diz não saber
O que houve de errado
E o meu erro foi crer
Que estar ao seu lado
Bastaria!
Ah! Meu Deus!
Era tudo o que eu queria
Eu dizia o seu nome
Não me abandone jamais...
Mesmo querendo
Eu não vou me enganar
Eu conheço os seus passos
Eu vejo os seus erros
Não há nada de novo
Ainda somos iguais
Então não me chame
Não olhe pra trás...
Você diz não saber
O que houve de errado
E o meu erro foi crer
Que estar ao seu lado
Bastaria!
Ah! Meu Deus!
Era tudo o que eu queria
Eu dizia o seu nome
Não me abandone jamais...
Não me abandone jamais... (3x)

Garoto de Aluguel (Taxi Boy)

A canção "Garoto de Aluguel", também conhecida como "Taxi Boy" foi composta por Zé Ramalho (1949).

Existe uma versão de que a canção é autobiográfica e que, quando chegou ao Rio, Zé Ramalho havia trabalhado como garoto de programa. Entretanto, o próprio cantor revela " Não cheguei a ser michê, mas tinha umas meninas que dormiam comigo. A canção "Garoto de Aluguel" é autobiográfica por causa disso. Essas meninas eram estudantes que eu conhecia do tempo em que tocava com o Alceu. Eu era rato de show aqui no Rio de Janeiro. Elas gostavam dos cantores nordestinos, do jeitão da gente, meio desengonçados. Era mais a inspiração da música. Elas viam a situação em que a gente estava. Eu passei fome. Várias vezes dormi em frente ao Copacabana Palace. Mas teve uma camarada lá no Bar da Glória que, durante uns quatro meses, me deixou dormir num quarto de empregada, aquele cubículo miudinho. Era o tempo dos militares, em que assassinos, estupradores e bandidos não existiam. Existiam hippies e malucos, mas eles diziam: "Esse pessoal deixa em paz porque não é subversivo". "Nordestino sofredor" – chamavam a gente assim. Depois de servir o quartel, cheguei ao Rio preparado. As coisas que eu passei no quartel não foram moles. Antes de partir fui pra frente do espelho e disse: "Olha, cara, se você acha que é tão espertinho, vá pro Rio de Janeiro, sozinho, sem depender de ninguém". Fui com isso na cabeça. Sabia, no entanto, que com o pacote de canções alguma coisa iria acontecer. Disso eu tinha plena certeza, senão não viria."

A música foi incluída em seu disco "A peleja do diabo com o homem do céu". de 1980.

Além da gravação do autor, a canção teve algumas gravações inusiadas, como a de Carmen Costa. A última das gravações marcantes foi na voz da jovem revelação da MPB, Thais Gullin.

GAROTO DE ALUGUEL (Táxi Boy)
(Zé Ramalho)

Baby ! Dê-me seu dinheiro que eu quero viver
Dê-me seu relógio que eu quero saber
Quanto tempo falta para lhe esquecer
Quanto vale um homem para amar você
Minha profissão é suja e vulgar
Quero pagamento para me deitar
Junto com você estrangular meu riso
Dê-me seu amor que dele não preciso
Ô, ô..ô,ô
Baby ! Nossa relação acaba-se assim
Como um caramelo que chega-se ao fim
Na boca vermelha de uma dama louca
Pague meu dinheiro e vista sua roupa
Deixe a porta aberta quando for saindo
Você vai chorando e eu fico sorrindo
Conte pras amigas que tudo foi mal
Nada me preocupa de um marginal
Ô, ô..ô,ô
Baby ! Nossa relação acaba-se assim
Como um caramelo que chega-se ao fim
Na boca vermelha de uma dama louca
Pague meu dinheiro e vista sua roupa
Deixe a porta aberta quando for saindo
Você vai chorando e eu fico sorrindo
Conte pras amigas que tudo foi mal
Nada me preocupa de um marginal
Ô, ô..ô,ô
Baby, baby, baby, baby, baby, baby
ô, ô, ô, ô, ô, ô
Baby, baby, baby, baby, baby, baby
ô, ô, ô, ô, ô, ô
Baby, baby, baby, baby, baby, baby

Mucuripe

A música “Mucuripe”, um grande sucesso composto pelos cearenses Fagner (1949) e Belchior (1946) teve, na verdade, duas versões.

A primeira, com letra e música frutos apenas da inspiração de Belchior, não é conhecida. Era cantada, pelo autor, em encontros boêmios de Fortaleza, principalmente, no Bar do Anísio, localizado na praia que deu o título à música e nas rodas de músicas do chamado “pessoal do Ceará”, grupo de talentosos artistas cearenses que faria história na MPB.

Posteriormente, Fagner fez uma nova versão em cima da mesma letra. Esta ficaria famosa ao ser gravada por dois monstros da MPB: Roberto Carlos e Elis Regina, se tornando a definitiva.

Belchior, no livro, “No tom da canção cearense – Do rádio, e TV, dos lares e bares na era dos festivais (1963-1979)”, do historiador cearense Wagner Castro, conta como se inspirou para fazer a música:

“Mucuripe” veio da idéia de fazer desde um filme antigo em que vi aconselhando a mulher de um marinheiro: dizendo que ela deixasse receber todos os seus sofrimentos, todas as suas mágoas [...] Então resolvi fazer uma música sobre isso; a questão do Mucuripe, do significado do nome e porque naquela altura Mucuripe era um local muito poético, com suas dunas [...].

Já a versão posterior de Fagner foi vencedora do Festival do CEUB de Brasília. O próprio Belchior admite, no citado livro, que a versão do conterrâneo era melhor que a sua:

“[...] Eu fiz um scanner de “Mucuripe”, com letra e música e depois o Raimundo Fagner fez uma música bem melhor que a minha [...]. Depois, com muito prazer, eu deixei de cantar a minha”.

Belchior aproveitou para fechar a música com uma conhecida frase de Augusto Pontes. “Vida, vento, vela, leva-me daqui” se ajustou com perfeição ao enredo da música se tornando um dos seus pontos fortes. Augusto, uma espécie de guru do pessoal do Ceará, declarou, em uma entrevista de 2006, não se importar com o uso do seu verso: “[...] Eu considero isso uma homenagem, não faz mal nenhum terem usado não.[...]Nunca pedi parceria por isso. São todos grandes amigos, é natural que um use uma frase ou outra [...]”.

Outra curiosidade sobre a música: em torno de 1972, Fagner chegou a morar na casa de Elis Regina, que se tornara sua amiga. Naquele tempo, o cearense de Orós estava prestes a gravar o seu primeiro LP “Manera Fru-Fru”, quando conheceu Ivan Lins por meio de Elis. A convite de Fagner, Ivan, que na época ainda não tinha grande vivência em arranjos, mas se mostrava um estudioso de música, se transformou, curiosamente, no primeiro arranjador da versão gravada de "Mucuripe".

Fonte: drzem.blogspot

"MUCURIPE"
(Belchior / Fagner)

As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vão levar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar
Hoje à noite namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar

Calça nova de riscado
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo inda era flor

Sob o meu chapéu quebrado
Um sorriso ingênuo e franco
De um rapaz moço encantado
Com vinte anos de amor

Aquela estrela é bela
Vida vento vela levame daqui
Aquela estrela é bela
Vida vento vela leva-me daqui

As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vão levar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar

Hoje à noite namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar

Calça nova de riscado
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo inda era flor

Sob o meu chapéu quebrado
Um sorriso ingênuo e franco
De um rapaz moço encantado
Com vinte anos de amor

Aquela estrela é bela
Vida vento vela levame daqui
Aquela estrela é bela
Vida vento vela leva-me daqui.

Seu Amor Ainda É Tudo

É considerada uma balada sertaneja composta por Moacyr Franco (1936).

Nos anos 80, a balada internacional encontra uma afinidade muito grande no meio artístico da música sertaneja. A balada é uma canção sentimentalerótica, disseminada pela indústria cultural, cujo interprete internacional mais famoso no Brasil é Júlio Iglesias. A balada é escrita geralmente num compasso quaternário composto, tem uma melodia ondulada bastante ampla, e usa freqüentemente um acompanhamento harpejado feito por piano e cordas. A canção "Seu amor ainda é tudo", de Moacyr Franco, exemplifica bem esta tendência.

Essa música foi gravada em 1986 e lançada em disco com o mesmo nome. O disco foi o mais vendido do ano e recebeu cinco discos de ouro e dois de Platina e um duplo de platina. Nessa época cada disco de ouro equivalia a 100 mil cópias dos Lps.

A canção apresentou diversas gravações, dentre as quais destacaram-se as do próprio compositor, de Agnaldo Timóteo e a da dupla João Mineiro e Marciano, de 1987.

Esteve presente na trilha sonora da novela "Estrela de Fogo"(1998/1999) da rede Record, em uma gravação de Roberta Miranda.

"SEU AMOR AINDA É TUDO"
(Moacyr Franco)

Muito prazer em revê-la, você está bonita
Muito elegante, mais jovem, tão cheia de vida
Eu ainda falo de flores e declamo seu nome
Mesmo os meus dedos me traem, discam o seu telefone

É minha cara, eu mudei, minha cara
Mas por dentro eu não mudo
O sentimento não para, a doença não sara
Seu amor ainda é tudo, tudo

Daquele momento até hoje esperei você
Daquele maldito momento até hoje, só você
Eu sei que o culpado de não ter você sou eu
E esse medo terrível de amar outra vez é meu

Sei não devia dizer, disse perdoa
Bem que eu queria encontrá-la e sorrir numa boa
Mas convenhamos, a vida nos faz tão pequenos
Nos preparamos pra muito e choramos por menos

É minha cara eu mudei, minha cara,
Mas por dentro eu não mudo
O sentimento não para, a doença não sara
Seu amor ainda é tudo, tudo

Daquele momento até hoje esperei você
Daquele maldito momento até hoje, só você
Eu sei que o culpado de não ter você sou eu
E esse medo terrível de amar outra vez é meu.

Fonte: História da Música Sertaneja.

Eu Só Quero Um Xodó

É uma toada de Dominguinhos (1941) e Anastácia (1941) do ano de 1962 e que conta com mais de 400 regravações no Brasil e no exterior (segundo Anastácia). Dentre as gravações em outras línguas, destacam-se o inglês, o holandês e o italiano.

Anastácia conta que em 1962 compôs a música que fez sucesso nacionalmente, principalmente na voz de Gilberto Gil, em 1973. A letra é dela e a melodia, de Dominguinhos. “A gente morava em São Paulo e, quando chegava perto do São João os cantores ficavam pedindo música. A gente tinha uma máquina de fazer música nordestina. Eu tava fritando um peixinho pro almoço quando a melodia me chamou a atenção e eu comecei a fazer o esboço de uma letra”, relembra ela.

EU SÓ QUERO UM XODÓ
(Anastácia / Dominguinhos)

Que falta eu sinto
De um bem
Que falta me faz
Um xodó
Mas como eu não tenho ninguém
Eu levo a vida assim tão só
Eu só quero um amor
Que acabe o meu sofrer
Um xodó pra mim
Do meu jeito assim
Que alegre o meu viver.

Tico Tico no Fuba

O choro "Tico-tico no Fubá" é uma composição original de Zequinha de Abreu(1880-1935) do ano de 1917. Posteriormente recebeu letra criada por Eurico Barreiros.

A música foi um dos maiores sucessos da década de 1940 e fez parte da trilha sonora de cinco filmes americanos: "Alô Amigos", "A Filha do Comandante", "Escola de Sereias", "Kansas City Kity" e "Copacabana", quando o choro foi cantado por Carmen Miranda.

Em 1917, durante um baile, apresentou um choro e ficou surpreso com a reação entusiasmada dos pares de dança. Batizou a música de "Tico-Tico no Farelo", mas, como já existia um choro com o mesmo nome na época (composto por Américo Jacomino), resolveu pôr "Tico-Tico no Fubá". Apesar da boa acolhida, o choro só seria gravado quatorze anos depois, pela Orquestra Colbaz, dirigida pelo maestro Gaó. Interpretada por dezenas de artistas, tornou-se um dos maiores sucessos da música brasileira no século 20, inclusive no exterior.

A partir de então, recebeu dezenas de gravações, tornando-se uma das músicas brasileiras mais gravadas de todos os tempos, no país e no exterior, salientando-se entre seus intérpretes a organista Ethel Smith, que a levou ao hit-parade americano.

Sua gravação de maior sucesso foi a de Ademilde Fonseca.

Dezessete anos após a morte de Zequinha, os cineastas Fernando de Barros e Adolfo Celi e a Companhia Vera Cruz homenagearam o compositor com o filme "Tico-Tico no Fubá" (1952) com Anselmo Duarte e Tônia Carrero nos principais papéis.

Fonte: UOL Educação.

TICO-TICO NO FUBÁ
(Zequinha de Abreu / Eurico Barreiros)

Primeira Parte
Um tico-tico só,
Um tico-tico lá,
Está comendo
Todo, todo meu fubá.

Olha, Seu Nicolau,
Que o fubá se vai,
Pego no meu pica-pau
E um tiro sae.

Coitado...
Então eu tenho pena
Do susto que levou
E uma cuia se ia,
Mais fubá eu dou.

Alegre já,
Voando, piando,
Meu fubá, meu fubá,
Saltando de lá pra cá.

Segunda Parte (Declamado)

Tico-tico engraçadinho
Que está sempre a piar,
Vá fazer o teu ninho
E terás assim um lar.

Procure uma companheira
Que eu te garanto o fubá,
De papada sempre cheia
Não acharás a vida má.

Terceira Parte

Houve um dia lá
Que ele não voltou,
E seu gostoso fubá
O vento levou.

Triste fiquei,
Quase chorei,
Mas então vi
Logo depois,
Já não eram um,
Mas sim já dois.

Quero contar baixinho
A vida dos dois,
Tiveram seu ninho
E filhotinhos depois.

Todos agora
Pulam ali,
Saltam aqui,
Comendo sempre o fubá
Saltando de lá para cá. 

Menina da Ladeira

“Menina da Ladeira” é uma composição de João Evangelista Melo Fortes, conhecido artisticamente como João Só (1943-1992).

Os versos de “Menina da Ladeira” tocaram sem parar durante todo o ano de 1971. "Fico feliz de ter ficado em primeiro lugar, na frente de Jesus Cristo, do meu amigo Roberto Carlos", orgulhava-se João Só. Anos depois, Roberto Carlos continuava Rei, “Menina da Ladeira” foi regravada mais tarde em um disco de Neguinho da Beija-Flor, mas passou despercebida. João Só é lembrado somente em programas de flash back.

A canção tornou-se um sucesso inesquecível. Houve uma época que ele tentou se livrar desta homenagem que fez em 1968 para as meninas de Salvador. Consagrado por "Menina da Ladeira", ele explicava que a música tinha sido inspirada pelas ladeiras que compõe o quadro da cidade de Salvador, onde o artista passou a maior parte de sua vida. "Quando a menina que subia e descia a ladeira era a figura da universitária no tempo da faculdade trafegando pela ladeira do Bonfim e a do Pelourinho". Depois do estouro do compacto simples, em 1971, a Odeon produziu um LP e dois compactos duplos de João. Em todos incluiu “Menina da Ladeira”. Haja sucesso! "Ela ofuscava todas as outras faixas. Quando ia nas rádios, ninguém queria saber do resto do disco." João ficava calado, aproveitava para fazer shows e programas de tevê. Até que cansou. "Se eu tivesse continuado naquele ritmo de toada, estava emplacando até hoje."

João Só concebeu esta música de uma maneira muito natural e espontânea. Diz que após participar de um jantar oferecido aos profissionais de publicidade num dos restaurantes da Ribeira, onde se localizava o antigo aeroporto, começou a tocar o violão e cantar alguns versos. Já sozinho e com a casa fechando as portas, desenvolveu todo o tema da música: "Parecia até que era um trabalho antigo, conhecido". Quando chegou em casa, gravou tudo para não esquecer. No outro dia, viu que quase nada precisava ser mudado.

João Só radicalizou. Saiu da Odeon e começou a fazer samba-canção e bolero. Não deu certo. Em 1978 trocou o Rio por São Paulo, onde ficou até 1984. Voltou para Salvador. Os 12 meses ininterruptos de sucesso não garantiram ao compositor um futuro tranquilo. Até o segundo semestre de 1972, quando a música já tinha caído para o oitavo lugar, João não recebeu um centavo de direito autoral. "O autor tinha que se filiar a uma entidade que arrecadaria os direitos, mas eu não sabia", dizia. "Perdi muito dinheiro por não me cercar das pessoas certas."

MENINA DA LADEIRA
(João Só)

Menina que mora na ladeira
Que desce a ladeira sem parar
Debaixo do pé da laranjeira
Se senta prá poder descançar

Silêncio profundo a menina dormiu
Alguém quem esperava
Tão logo partiu
Partiu para sempre para o infinito
Um grito ouviu

Chorando levanta a menina
Correndo ligeiro sem parar
Debaixo do pé da laranjeira
Há sempre um alguém a esperar

Violeiro tocando estrela brilhar
Violeiro em prece
Em prece ao luar,luar
E tal noite vazia espera a menina
Tão linda não vai.

Adeus, Batucada

Apresentado à Carmen Miranda através do amigo Assis Valente, Synval Silva (1911-1994) compôs “Adeus, batucada” (1935) como uma espécie de tributo à farra que ele desde criança aprendeu a adorar, e agora passa adiante para que outros passem a admirá-la: “E do meu grande amor sempre eu me despedi sambando...” poetiza o compositor perene; compõe o poeta latente.

Entusiasmada com o samba "Coração", Carmen Miranda propôs ao autor, Synval Silva: "Se você me trouxer uma música que alcance a metade do sucesso de ‘Coração', eu lhe darei três contos de réis". E Synval trouxe-lhe "Adeus Batucada", que suplantaria "Coração" e outros sucessos, tornando-se um dos números mais representativos de seu repertório.

Choroso, sentimental, um belo canto de despedida ( "Adeus! Adeus! Meu pandeiro do samba / tamborim de bamba, já é de madrugada / vou-me embora chorando..."), "Adeus Batucada" foi executado no carrilhão da Mesbla, por ocasião do funeral de Carmen Miranda.

O samba esteve presente na trilha sonora da novela "Escalada" (1975 - Carmen Miranda).

ADEUS, BATUCADA
(Synval Silva)

Adeus, adeus
Meu pandeiro do samba
Tamborim de bamba
Já é de madrugada

Vou-me embora chorando
Com meu coração sorrindo
E vou deixar todo mundo
Valorizando a batucada

Adeus, adeus
Meu pandeiro do samba
Tamborim de bamba
Já é de madrugada

Vou-me embora chorando
Com meu coração sorrindo
E vou deixar todo mundo
Valorizando a batucada

Em criança com samba eu vivia sonhando
Acordava e estava tristonha chorando

Jóia que se perde no mar
Só se encontra no fundo
Samba mocidade
Sambando se goza
Nesse mundo

E do meu grande amor
Sempre eu me despedi sambando
Mas da batucada agora me despeço chorando
E guardo no lenço esta lágrima sentida
Adeus batucada
Adeus batucada querida.

Fonte: MPB Cifrantiga.

O Mundo É Um Moinho

Esta é mais uma composição do grande mestre Cartola (1908-1980).

Há uma grande polemica sobre a composição de "O mundo é um moinho" que Cartola compôs para sua filha adotiva, a cantora já falecida Creusa Cartola (Creusa Francisca dos Santos). Porém, de acordo com relatos anteriores, teria sido composta para a filha prostituta do compositor. Mas, segundo relato da filha mais velha de Creusa, Irinéa dos Santos, Cartola compôs essa música baseado em sua passagem pela adolescência, e com a curiosidade normal de uma púbere de 16 anos por namoros. O compositor então expressou sua preocupação como qualquer pai em relação a uma menina adolescente, e resolveu assim fazê-lo através desta composição, que é uma das mais importantes dentre seu acervo.

A canção foi gravada em 1976 por Cartola. Posteriormente recebeu inúmeras regravações, de Nelson Gonçalves a Cazuza.

O MUNDO É UM MOINHO
(Cartola)

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar

Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó

Preste atenção querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés.

Vapor Barato

"Vapor Barato" é uma composição de Jards Macalé (1943) e Waly Salomão (1943-2003).

A canção serviu como fundo musical para dois difíceis momentos da história brasileira - de exílio forçado ou voluntário - e ambos com a marca de Plutão.

Em dezembro de 1971 é lançado o disco Gal: Fa-Tal, a Todo Vapor. Com os tropicalistas Caetano Veloso e Gilberto Gil no exílio, isto é, em Londres, Gal Costa se transformara na voz deles e de outros "estrangeiros" no Brasil. E é com este disco que "Vapor Barato", de Waly Salomão e Jards Macalé, na voz de Gal, se torna uma espécie de "olha, aqui tá todo mundo muito vivo". Embora revelando um coração cansado.

A ditadura militar corria solta no Brasil. Assim como em outros países da América Latina. O Ato Inconstitucional nº 5, o AI-5, que cerceara os direitos políticos e a liberdade de imprensa, comemorava três aninhos (13 de dezembro de 1968). Filhos do Brasil ou morriam misteriosamente nos subterrâneos do regime ou foram ou eram "convidados" a se retirar do país. "Vapor Barato" era uma espécie de recado para os generais e um cartão-postal além-mar.

Vinte e quatro anos depois essa mesma canção renasce para ilustrar outro período na história do Brasil: o do êxodo de inúmeros jovens ao exterior com o intuito de fugir do arrocho econômico que assolara o país.

Em 1995, Walter Salles lança o filme "Terra Estrangeira", no qual, com fotografia em preto e branco, passava a limpo os momentos do recente e colorido governo Collor. Em 1989, Fernando Collor de Melo tornara-se o primeiro presidente eleito por voto direto desde a ditadura militar. O Brasil, mergulhado numa inflação sem tamanho, elegia um quase desconhecido envolto numa aura de salvador. A sua falsa fama de caçador de marajás encorajou a população brasileira a creditar nele suas esperanças. Na primeira semana do seu mandato, a fim de solucionar os problemas financeiros do país, anuncia uma série de medidas, entre elas o confisco do dinheiro depositado em cadernetas de poupança. Era o começo de um verdadeiro pesadelo.

Após o confisco das cadernetas de poupança, os brasileiros recomeçaram a fuga do país, a fim de tentar a sorte. Os versos "e vou tomar aquele velho navio/ Eu não preciso de muito dinheiro/ E não me importa, honey" ganhavam outro contexto. E o destino de sempre: o estrangeiro. No caso do filme, mais especificamente, Portugal. "A língua é minha pátria/ e eu não tenho pátria: tenho mátria/ e quero frátria" (Caetano Veloso, em "Língua").

"Terra Estrangeira" não é um simples documentário. Muito menos um filme político, no sentido restrito do termo. Na verdade, trata da experiência humana em busca de um lugar existencial. Seja lá onde for. "Vapor Barato" surge no filme na voz da personagem Alex (Fernanda Torres), a capela, sem palco. A atriz revelou, inclusive, que a canção entrou no filme pela porta do inesperado. O diretor, ao ouvir Fernanda cantarolar a canção nos intervalos das filmagens, logo a incluiu em cena. Logo depois a canção vira sucesso com o grupo O Rappa.

Curioso que o filme retrate o envolvimento dos protagonistas com o tráfico de drogas e Vapor Barato seja o nome de um traficante entre tantos nos morros do Brasil. Embora o envolvimento dos primeiros possa ser entendido como uma questão de sobrevivência. Caetano Veloso faz referência ao traficante na canção Fora da Ordem ("Circuladô").

Se, em 1971, Vapor Barato, ao se referir ao terror dos anos anteriores, se tornou um marco entre as canções que iniciavam a trilha sonora em busca da volta dos direitos democráticos, em 1995 terapeutizava os desmandos da era Collor.

VAPOR BARATO
(Jards Macalé / Waly Salomão)

Oh, sim, estou tão cansado
Mas não pra dizer que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas, meu casaco de general
Cheio de anéis, eu vou descendo por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio
Eu não preciso de muito dinheiro
E não me importa, Honey
Baby, baby, honey baby...

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer que estou indo embora
Talvez, eu volte, um dia eu volto
Mas eu quero esquecê-la, eu preciso
Oh, minha grande, oh, minha pequena
Oh, minha grande, minha pequena obsessão
Eu vou embora naquele velho navio
E não me importa, honey,
Baby, baby, honey baby...

Fonte: Constelar.com

Falsa Baiana

"Falsa Baiana" é um samba composto por Geraldo Pereira (1918-1955).

Na noite de segunda-feira do carnaval de 1944, Roberto Martins estava no Nice, conversando com Geraldo Pereira, quando chegou sua esposa, dona Isaura, fantasiada de baiana. Acontece que, não tendo temperamento carnavalesco, a Sra. Martins era a própria imagem da desanimação, em contraste com os foliões, o que levou o marido a observar: "Olha aí, Geraldo, a falsa baiana...". O que Roberto não sabia era que, inconscientemente, estava oferecendo a Geraldo Pereira o mote para ele criar "Falsa Baiana", o maior sucesso de sua carreira.

Neste samba de ritmo sacudido, bem característico de seu estilo, Geraldo estabelece uma divertida comparação entre a falsa baiana - que "Só fica parada / não canta, não samba / não bole, nem nada" - com a verdadeira - "Que mexe, remexe / dá nó nas cadeira / e deixa a moçada com água na boca". Nascido em Juiz de Fora e criado no morro carioca da Mangueira, este notável compositor - bom de letra e melodia entraria na década de 1940 para a história do samba, gênero que revigorou em escassos quinze anos de atividade.

Talvez pelo caráter inovador de sua obra, que inclui até certas resoluções harmônicas inusitadas na época, Geraldo Pereira não foi suficientemente valorizado em vida. Várias dessas inovações estão bem à mostra em "Falsa Baiana": a originalidade melódica, o deslocamento da acentuação rítmica (que causaria forte impressão em João Gilberto) e o ritmo interno das construções verbais, independentes da melodia. Tudo isso seria valorizado na interpretação inconfundível de seu lançador, o grande sambista Ciro Monteiro.

Uma curiosidade: antes de entregar "Falsa baiana" a Ciro, o autor mostrou-a ao cantor Roberto Paiva, que a rejeitou. "Era de madrugada" - relembra Paiva - "e o Geraldo, ‘meio alto', cantou enrolando as palavras, dando a impressão de que o samba estava ‘quebrado'. Um mês depois, ao ouvi-lo na voz do Ciro, descobri que aquela beleza toda era o samba que o Geraldo me oferecera".

A canção fez parte da trilha sonora do filme "Woman on Top", conhecido no Brasil como "Sabor da Paixão" (2000 - Paulinho Moska).

Fonte: A Canção no Tempo - Vol.1 - p.226/227 - Ed. 34 - 1a edição.

FALSA BAIANA
(Geraldo Pereira)

Baiana que entra no samba e só fica parada
Não canta, não samba, não bole nem nada
Não sabe deixar a mocidade louca.

Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira
Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras
Deixando a moçada com água na boca.

A falsa baiana quando entra no samba ninguém se incomoda
Ninguém bate palma, ninguém abre a roda
Ninguém grita ôba, salve a Bahia, Senhor!

Mas a gente gosta quando uma baiana quebra direitinho
De cima embaixo revira os olhinhos
E diz eu sou filha de São Salvador!

Beijinho Doce

"Beijinho Doce" é uma canção composta por Nhô Pai (João Alves dos Santos - 1912/1988).

Foi o maior sucesso do compositor Nhô Pai, gravado pela primeira vez em 1945 pelas Irmãs Castro e, posteriormente, pelas Irmãs Galvão. Tornou-se uma canção popular quando foi incluída no filme “Aviso Aos Navegantes” em 1950. A música também foi gravada por Tonico e Tinoco, José Augusto, Chitãozinho e Xororó e até mesmo Ivete Sangalo, dentre tantos outros.

Além do filme "Aviso aos Navegantes" (1950 - Adelaide Chiozzo e Eliana) e "O Conto do Vigário" (1976 - Nalva Aguair), a música foi incluída na novela da TV Globo "A Favorita" (2008), interpretado pelas personagens Flora e Donatela, que formavam a dupla sertaneja Faísca & Espoleta (Patrícia Pilar e Cláudia Raia). Embora não tenha feito parte da trilha sonora da novela lançada em cd, a música fez grande sucesso entre os telespectadores.

Após a novela a música tornou-se uma febre com remixes que foram executados exaustivamente em boates e baladas por todo o Brasil.

Fonte: Cultureba.

BEIJINHO DOCE
(Nhô Pai)

Que beijinho doce
Que ele tem
Depois que eu beijei ele
Nunca mais amei ninguém

Que beijinho doce
Foi ele quem trouxe
De longe pra mim
Se me abraço apertado
Suspiro dobrado
Que amor sem fim

Coração quem manda
Quando a gente ama
Se eu estou junto dele
Sem dar um beijinho
Coração reclama

Que beijinho doce
Foi ele quem trouxe
De um longe pra mim
Abraço apertado
Suspiro dobrado
Que amor sem fim.

Portela na Avenida

O samba-exaltação "Portela na Avenida" foi composto em 1981 por Paulo César Pinheiro (1949) e Mauro Duarte (1930-1989).

A portelense Clara Nunes vivia pedindo ao marido, Paulo César Pinheiro, um samba em homenagem à sua escola. Acontece que o poeta sentia-se meio inibido para a tarefa, pois, além de ter um coração mangueirense, achava que já existia uma obra definitiva sobre a Portela, o samba “Foi um Rio que Passou em Minha Vida”, de Paulinho da Viola. Mesmo assim, para agradar à mulher, começou a pensar no assunto e até criou uma pequena célula melódica que não conseguiu desenvolver a contento.

Um dia, quando menos esperava, encontrou a idéia numa sala de sua própria casa, onde Clara havia montado um altar para as suas devoções: a imagem de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, uma santa negra com o seu manto azul e branco (as cores da Portela), o pombo de asas abertas, representando o Espírito Santo (a águia portelense), enfim, a combinação do místico com o profano (procissão religiosa/desfile carnavalesco) forneceu-lhe o ponto de partida para a composição que, desenvolvida com o parceiro Mauro Duarte, resultou no belo samba-homenagem “Portela na Avenida”:

Lançada por Clara Nunes no final de 81, “Portela na Avenida” se consagraria no carnaval de 82, tornando-se a partir de então a música que esquenta a bateria portelense antes de cada desfile. Com o seu sucesso, Paulo César resolveu homenagear também as outras grandes escolas, começando pelo Império Serrano, com o samba “Serrinha”, gravado por Clara. No total, seriam dez sambas dos quais oito foram gravados (dois por Clara e seis por Alcione), permanecendo inéditos em disco (até 1998) os referentes a Vila Isabel e Caprichosos de Pilares.

Paulo César Pinheiro está, assim, para as escolas de samba, como Lamartine Babo, para os clubes do futebol carioca, que homenageou em onze marchas. Detalhe: em 1968, a Mangueira seria exaltada pelo portelense Paulinho da Viola (em parceria com Hermínio Bello de Carvalho) no samba “Sei Lá Mangueira”; em 1981 chegou a vez de a Portela ser homenageada pelo mangueirense Paulo César Pinheiro (em parceria com Mauro Duarte). Estabeleceu-se assim um curioso empate em que todos saíram ganhando.

Fonte: A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34.

PORTELA NA AVENIDA
(Paulo César Pinheiro / Mauro Duarte)

Portela
Eu nunca vi coisa mais bela
Quando ela pisa a passarela
E vai entrando na avenida
Parece
A maravilha de aquarela que surgiu
O manto azul da padroeira do brasil
Nossa senhora aparecida
Que vai se arrastando
E o povo na rua cantando
É feito uma reza, um ritual
É a procissão do samba abençoando
A festa do divino carnaval

Portela
É a deusa do samba, o passado revela
E tem a velha guarda como sentinela
E é por isso que eu ouço essa voz que me chama
Portela
Sobre a tua bandeira, esse divino manto
Tua águia altaneira é o espírito santo
No templo do samba

As pastoras e os pastores
Vêm chegando da cidade, da favela
Para defender as tuas cores
Como fiéis na santa missa da capela

Salve o samba, salve a santa, salve ela
Salve o manto azul e branco da portel
Desfilando triunfal sobre o altar do carnaval.

Chiquita Bacana

A idéia de compor "Chiquita Bacana" partiu de João de Barro, Braguinha (1907-2006), que propôs a Alberto Ribeiro (1902-1971) aproveitarem o existencialismo como motivo de uma marchinha. Na realidade, a idéia inspirava-se na imprensa da época que explorava com frequência o existencialismo - Sartre, Camus, Simone de Beauvoir e, principalmente, o lado não-científico do movimento, que abrangia os "existencialistas" boêmios, habitués das caves parisienses, seus costumes exóticos etc.

Naturalmente, o objetivo da dupla ao escrever a marchinha era fazer uma referência espirituosa ao assunto, para isso criando a figura de "Chiquita Bacana", beldade que "Se veste com uma casca de banana nanica". Sem dúvida, o comportamento da moça é inusitado, mas perfeitamente justificável, pois "Existencialista com toda razão" ela "Só faz o que manda o seu coração". Genolino Amado chegou a dizer numa crônica que esses versos eram a melhor definição do existencialismo que ele conhecia.

Além de dar a Braguinha a vitória no carnaval de 1949, pelo terceiro ano consecutivo, "Chiquita Bacana" tornou-se uma de suas composições mais conhecidas, batendo, inclusive, o recorde de alcance geográfico de sua obra: foi gravada nos Estados Unidos, Argentina, Itália, Holanda, Inglaterra e França, onde, com o título de "Chiquita madame de la Martinique", e com versos de Paul Misraki, integra as discografias de Josephine Baker e Ray Ventura.

A primeira gravação de “Chiquita Bacana” foi realizada por Emilinha Borba e ficou imortalizada na voz da cantora.

A música esteve presente na trilha sonora do filme francês "Odette Toulemonde"(2007) com o nome de "Chiquita Madame", interpretada por Nicola Piovani.

CHIQUITA BACANA
(Alberto Ribeiro / João de Barro)

Chiquita Bacana
Lá da Martinica
Se veste com uma casca
De banana nanica

Não usa vestido
Não usa calção
Inverno pra ela
É pleno verão
Existencialista
Com toda razão
Só faz o que manda
O seu coração.

Mas Que Nada

"Mas Que Nada" é uma canção composta pelo cantor brasileiro Jorge Ben Jor (1942).

Gravada em 1963, para seu primeiro álbum, "Samba Esquema Novo", a canção é o primeiro grande sucesso de Jorge Ben (seu nome artístico na época), "Mas Que Nada" também é uma das canções brasileiras mais conhecidas no exterior, particularmente nos Estados Unidos da América, quando foi gravada pelo pianista e compositor brasileiro Sérgio Mendes.

O balanço inovador dos arranjos fez da canção um grande sucesso no Brasil. "Mas Que Nada" não é uma canção que se enquadre na bossa nova tampouco no samba tradicional. Não por acaso, ela demorou para ser aceita pelo meio musical brasileiro, sendo gravada primeiramente pelo grupo Tamba Trio, em 1963.

O sucesso da canção nos Estados Unidos viria após uma excursão de três meses naquele país, no qual Jorge Ben se apresentou em universidades e clubes, em 1965. No ano seguinte, Sérgio Mendes lançou uma versão da canção, em seu álbum "Herb Alpert Presents Sérgio Mendes & Brazil '66 ". Foi aí que se tornou grande sucesso nas paradas norte-americanas, alcançando a posição número quatro na parada "Adult Contemporary" e 47 na parada "Pop Singles" - ambas da Billboard. A importância da versão de Sérgio Mendes é traduzida por inúmeras versões feitas por artistas como Ella Fitzgerald, Al Jarreau, Trini Lopez e José Feliciano.

Recentemente, "Mas Que Nada" foi remixada e regravada pelo grupo Black Eyed Peas com o próprio Sérgio Mendes, chegando a posição de número 13 na parada "Hot Dance Music/Club Play" da Billboard.

Em 2006, Sérgio Mendes regravou a canção junto com os Black Eyed Peas e vocais adicionais por Gracinha Leporace (esposa de Mendes); uma versão que está incluída em seu álbum Timeless (2006).

Em vários países europeus a canção esteve na lista das dez músicas mais executadas, atingindo na Holanda e na Hungria a primeira colocação, no ano de 2006.

Fonte: Wikipédia.

MAS QUE NADA
(Jorge Ben Jor)

Mas Que Nada
Sai da minha frente
Que eu quero passar
Pois o samba está animado
E o que eu quero é sambar...

Esse samba
Que é misto de maracatu
Samba de Preto Velho
Samba de Preto Tutú..

Mas Que Nada
Um samba como este tão legal
Você não vai querer
Que eu chegue no final...

Ô, Ô Ô Ô Ô Ariá! Raiô!
Obá! Obá! Obá!...(2x)

Ô Mas Que Nada!
Ô Mas Que Nada!
Ô Mas Que Nada!
Ô Mas Que Nada!
Esse samba é gostoso
Essa dança é danada
Ô Mas Que Nada!
Ô Mas Que Nada!
Esse samba é gostoso
Essa dança é danada...

Esse samba
Que é misto de maracatu
Samba de Preto Velho
Samba de Preto Tutú..

Mas Que Nada
Um samba como este tão legal
Você não vai querer
Que eu chegue no final...

Ô, Ô Ô Ô Ô Ariá! Raiô!
Obá! Obá! Obá!...(2x)

Obá! Obá! Obá!
Obá! Obá! Obá!
Obá! Obá! Obá!...

-Mas Que Nada!