terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ontem ao Luar (Choro e Poesia)

A melodia de “Ontem ao Luar” foi composta originalmente pelo flautista Pedro Alcântara(1866- ), em 1907. Inicialmente era uma polca e se chamava “Choro e Poesia”. Mais tarde(1913) recebeu a letra (à revelia do autor) de Catulo da Paixão Cearense(1863- 1946) e passou a se chamar “Ontem ao Luar”.

A primeira gravação de “Ontem ao Luar”, em 1918, é de Vicente Celestino. Devido à semelhança com a canção Love Story, retornou com mais de dez regravações durante a década de 70.

Curiosidades sobre Catulo: Era autodidata e aprendeu praticamente sozinho a tocar violão, os meandros da matemática, do português e do francês, chegando inclusive a fazer traduções de poetas franceses.
Já conhecido nas rodas de boemia foi convidado para uma festa na casa do Senador Gaspar da Silveira Martins, onde deixou todos impressionados com sua inteligência. A esposa do senador então contratou-o como professor dos filhos. Passou então a morar na residência do senador.
Apesar de muitos pensarem que Catulo é cearense, ele nasceu em São Luiz do Maranhão. Só aos 12 anos de idade mudou-se para o sertão do Ceará.
No bairro do Engenho de Dentro existe uma rua rebatizada em homenagem a Catulo. A antiga rua Francisco Méier (onde ele morou nos últimos anos de vida) passou a chamar-se Rua Catulo da Paixão Cearense. Em vários outros estados do país encontramos nomes de ruas em homenagem a Catulo.


A música durante vários anos trazia apenas Catulo como compositor. Em 1976, graças aos esforços de uma neta de Pedro de Alcântara, uma decisão judicial restabeleceu o nome de Pedro Alcântara como co-autor da composição.

“Ontem ao Luar” esteve presente nas trilhas das novelas “Nina” ( 1977-1978 / Altemar Dutra), “Senhora” (1975 / Paulo Tapajós), “A Sucessora” ( 1978-1979 / Fafá de Belém).

ONTEM AO LUAR
(Catullo da Paixão Cearense e Pedro Alcântara)

Ontem, ao luar,nós dois em plena solidão
Tu me perguntaste o que era a dor de uma paixão.
Nada respondi, calmo assim fiquei
Mas, fitando o azul do azul do céu
A lua azul eu te mostrei
Mostrando-a ti, dos olhos meus correr senti
Uma nívea lágrima e, assim, te respondi
Fiquei a sorrir por ter o prazer
De ver a lágrima nos olhos a sofrer

A dor da paixão não tem explicação
Como definir o que eu só sei sentir
É mister sofrer para se saber
O que no peito o coração não quer dizer
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
De noite a chorar na onda toda azul
Pergunta, ao luar,do mar à canção
Qual o mistério que há na dor de uma paixão

Se tu desejas saber o que é o amor
E sentir o seu calor
O amaríssimo travor do seu dulçor
Sobe um monte á beira mar, ao luar
Ouve a onda sobre a arei-a a lacrimar
Ouve o silêncio a falar na solidão
De um calado coração
A penar, a derramar os prantos seus
Ouve o choro perenal
A dor silente, universal
E a dor maior, que é a dor de Deus

5 comentários:

  1. Essa letra não continua?
    Se tu queres mais
    Saber a fonte dos meus ais.........

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  2. Continua assim: Se tu queres mais,saber a fonte dos meus ais, poe o ouvido aqui na rosea flor do coração, ouve a inquietação da merencória pulsação, busca saber qual a razao porque ele vive assim tao triste a suspirar a palpitar em desesperação, a teimar de amar um insensível coração, que a ninguém dira no peito ingrato em que ele está mas ao sepucro fatalmente o levará.

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  3. Continua assim: Se tu queres mais,saber a fonte dos meus ais, poe o ouvido aqui na rosea flor do coração, ouve a inquietação da merencória pulsação, busca saber qual a razao porque ele vive assim tao triste a suspirar a palpitar em desesperação, a teimar de amar um insensível coração, que a ninguém dira no peito ingrato em que ele está mas ao sepucro fatalmente o levará.

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  4. Permita-me sugerir seja acrescentada a data e local de falecimento do flautista Pedro Alcântara (natural da cidade do Rio de Janeiro-RJ, 21 de agosto de 1866, falecido em Sete Lagoas-MG, 29 de agosto de 1929.
    Grato pela oportunidade e parabéns pelo excelente Blog.

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  5. também foi executada magistralmente na novela Tieta do agreste, numa serenata feita, logicamente, feita ao luar, pelo quarteto, jose mayer, reginaldo farias, o casado com a irmâ mais nova de tieta, Paulo Beti, e aquele galã que fazia o capitão que foi mora em mangue seco

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