quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Deusa da Minha Rua

“Deusa da Minha Rua” foi composta em 1939 por uma dupla de compositores. Newton Teixeira (1916/1990)compôs bela melodia e Jorge Faraj (1901/1963) escreveu a letra.

A valsa está pautada nos amores impossíveis, onde a mulher é sempre adorada sem saber, ignorando ser objeto de uma paixão. Faraj foi muito feliz nesta valsa, descrevendo o contraste entre a beleza da musa e a pobreza da rua. Ele estabelece um poético jogo de imagens, comparando a poça d'água, que "transporta o céu para o chão", a seus próprios olhos, "espelhos de sua mágoa", que sonham com o olhar da mulher inatingível.

Mas essa obra-prima do romantismo que imperava na música da época deu trabalho para chegar ao disco, permanecendo inédita por três anos. Primeiro Faraj não aprovou a melodia, obrigando Newton Teixeira a refazê-la. Depois foi Sílvio Caldas que, escolhido para interpretá-la, mostrou-se desinteressado, achando sempre uma desculpa para adiar a gravação. "Até que um dia - contou Newton ao pesquisador Lauro Gomes de Araújo - perdendo a paciência, tive que tirar o Sílvio de uma roda no Nice e praticamente arrastá-lo ao estúdio". Mas o importante é que o disco foi um sucesso, com ótima interpretação do cantor.

Detalhe: o afinado acordeon que participa da gravação original é tocado pelo argentino Heriberto Muraro, mais conhecido como pianista.

Newton Teixeira, autor da música, foi cantor, compositor e violonista, tendo acompanhado os maiores cantores românticos da época, foi autor de inúmeros sucessos. Teve como parceiros entre outros Jorge Faraj, David Nasser, Mario Lago, Mario Rossi, Cristovão de Alencar, Torres Homem e muitos outros.

"Deusa da Minha Rua" fica para a história como uma das mais belas canções românticas da música popular brasileira.

A canção esteve presente nas trilhas das novelas “Desejo Proibido” (2007/08 - Ivo Pessoa) e “Vida Nova (1988/89 - Silvio Caldas). Fez parte também da trilha sonora do filme “Lisbela e o Prisioneiro” (2003 - Geraldo Maia e Yamandú Costa)


DEUSA DA MINHA RUA
(Newton Teixeira / Jorge Faraj )

A deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua
Costuma se embriagar
Nos seus olhos eu suponho
Que o sol, num dourado sonho
Vai claridade buscar

Minha rua é sem graça
Mas quando por ela passa
Seu vulto que me seduz
A ruazinha modesta
É uma paisagem de festa
É uma cascata de luz

Na rua uma poça dÂ’água
Espelho da minha mágoa
Transporta o céu
Para o chão
Tal qual o chão de minha vida
A minhÂ’alma comovida
O meu pobre coração

Espelhos da minha mágua
Meus olhos
São poças dÂ’água
Sonhando com seu olhar
Ela é tão rica e eu tão pobre
Eu sou plebeu
ela é nobre
Não vale a pena sonhar.

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