terça-feira, 20 de novembro de 2012

Tristeza do Jeca

A moda "Tristeza do Jeca" foi composta por Angelino de Oliveira (1888-1964) ainda no início do Século XX. Ela contribui para formar a imagem do caipira paulista que, posteriormente, foi imortalizada por Mazzaropi em seus filmes.

É uma música que retrata de uma forma extremamente poética a vida simples do homem do campo, suas tristezas, ansiedades e simplicidade do caipira.

Mazzaropi(1912-1981) que tão bem encarnou a figura do Jeca Tatu, produziu e interpretou em 1961 “ A Tristeza do Jeca”, filme dirigido por Milton Amaral. A toada de Angelino de Oliveira fazia parte da trilha sonora, como não poderia deixar de ser. A música inclusive foi gravada pelo próprio Mazzaropi.

Sinopse do filme: Um simples e popular caipira chamado Jeca (Mazzaropi) é obrigado a se envolver em política quando os líderes da região, que estão competindo na eleição para prefeito da cidade, querem a todo custo seu apoio. Atrapalhado, Jeca faz propaganda para dois políticos ao mesmo tempo, provocando divertidas confusões. Primeiro filme colorido de Mazzaropi.


Segundo consta, o nome original da toada é “Tristezas do Jeca”, no plural, mas ela se popularizou mesmo com o título no singular.
A música possui gravações extremamente variadas, indo de Zeca Balero, Luiz Gonzaga, Maria Bethânia e Caetano Veloso a Paulo Sérgio e Gilliard, dentre tantos outros.

Além do filme “Tristeza do Jeca”(1961), a música esteve também no filme “Os Dois Filhos de Francisco”(2005 - Maria Bethânia e Caetano Veloso) e nas novelas “O Cravo e a Rosa (2000 - Sergio Reis), Chocolate com Pimenta (2003 - Zezé di Camargo e Luciano), Sítio do Picapau Amarelo (2005 – Zezé di Camargo e Luciano)


TRISTEZA DO JECA
(Angelino de Oliveira)

Nestes versos tão singelos
Minha bela, meu amor
Prá você quero contar
O meu sofrer e a minha dor
Sou igual a um sabiá
Que quando canta é só tristeza
Desde o galho onde ele está

Nesta viola canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Eu nasci naquela serra
Num ranchinho beira-chão
Todo cheio de buracos
Onde a lua faz clarão
Quando chega a madrugada
Lá no mato a passarada
Principia um barulhão

Nesta viola, canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Lá no mato tudo é triste
Desde o jeito de falar
Pois o Jeca quando canta
Dá vontade de chorar

E o choro que vai caindo
Devagar vai-se sumindo
Como as águas vão pro mar.

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