terça-feira, 20 de novembro de 2012

No Rancho Fundo

“No Rancho Fundo” é uma composição de Lamartine Babo(1904-1963) e Ary Barroso(1903-1964), datada de 1930.

Conta-se que Lamartine Babo escutou "Na Grota Funda", melodia de Ary Barroso com letra de J.Carlos, numa revista musical. Não gostou da letra, e sem mesmo pedir licença ao autor, apresentou a composição de Ary pela Radio Educadora com sua própria letra, interpretada pelo Bando de Tangará, assim inaugurando sua parceria em "O Rancho Fundo". J.Carlos não aceitou o fato, pediu explicações, e a desavença com Ary Barroso foi longa.

Ary Barroso escrevera a peça musical chamada “É do Balaco-Baco”, onde incluía o poema do caricaturista J. Carlos, chamado “Na Grota Funda”, que musicara. Eis a poesia:

Na grota funda
Na virada da montanha
Só se conta uma façanha
Do mulato da Reimunda.

Lamartine assistiu à revista e vidrou na melodia. Foi para casa, modificou a letra e nasceu o belíssimo No Rancho Fundo.

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade.

A primeira gravação de “No Rancho Fundo” é de Elisa Coelho. Ary Barroso, que era seu grande admirador, não apenas a escolheu para realizar a primeira gravação de "No rancho fundo", como também a acompanhou ao piano, com Rogério Guimarães ao violão, numa rara gravação onde é cantado integralmente o belo poema criado por Lamartine Babo.

A música esteve presente nas trilhas das novelas “Carinhoso” (1973 – Marcio Montarroyos), “Tieta” (1989/1990 - Chitãozinho e Xororó), “Fascinação” (1998 - Ney Matogrosso e Raphael Rabello) e também na trilha do filme “No Rancho Fundo” (1971 – Paulo Figueiredo)


NO RANCHO FUNDO
(Ary Barroso / Lamartine Babo)

No rancho fundo
Bem prá lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade...

No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno canta as máguas
Tendo os olhos rasos d'água...

Pobre moreno
Que de noite no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo um cigarro
Por companheiro...

Sem um aceno
Ele pega na viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal
Desse moreno...

No rancho fundo
Bem prá lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite, nem de dia...

Os arvoredos
Já não contam
Mais segredos
E a última palmeira
Ja morreu na cordilheira...

Os passarinhos
Internaram-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza...

Tudo por que
Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Pra uma casa de sapê...

Se Deus soubesse
Da tristeza lá serra
Mandaria lá prá cima
Todo o amor que há na terra...

Porque o moreno
Vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade...

Ele que era
O cantor da primavera
E que fez do rancho fundo
O céu melhor
Que tem no mundo...

Se uma flor desabrocha
E o sol queima
A montanha vai gelando
Lembra o cheiro
Da morena...

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