quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Gosto Que Me Enrosco

“Gosto Que Me Enrosco” é uma criação do compositor, pianista, flautista e cavaquinhista José Barbosa da Silva, o Sinhô (1888-1930). Sinhô foi o compositor mais popular da segunda década do século passado. Está profundamente ligado ao nascimento do gênero samba, do qual foi um dos pioneiros.

“Gosto Que Me Enrosco” é uma criação do compositor, pianista, flautista e cavaquinhista José Barbosa da Silva, o Sinhô (1888). Sinhô foi o compositor mais popular da segunda década do século passado. Está profundamente ligado ao nascimento do gênero samba, do qual foi um dos pioneiros.
O primeiro a gravar” Gosto Que Me Enrosco”, em 1928 pela Odeon, foi Mario Reis, acompanhado por Sinhô e Rogério Guimarães aos violões, e lançada em discos 78 rpm.

Havia muita disputa entre os vários compositores nos primeiros anos do século passado, pois estava se iniciando uma carreira de prestígio e que começava a render algum dinheiro. Heitor dos Prazeres chegou a acusar Sinhô de ter "roubado" a melodia de Gosto Que Me Enrosco, ao que Sinhô com sua verve e humor respondeu :"Samba é como passarinho que voa, é de quem pegar primeiro" .

Outras gravações conhecidas são as de Francisco Alves (com outro título e letra, 1927), Mário Reis (1951), Joel de Almeida (1956), Ivon Curi (1956), Mozart e sua Bandinha (1957), Gilberto Alves (1963), Roberto Fioravante (1968), Altamiro Carrilho (1968), Paulo Tapajós, A Turma da Pilantragem (1968), Ana Maria Brandão, Abel Ferreira, Banda do Canecão, Joel Teixeira, Ivanildo (sax, 1989), Waldir Silva (cavaquinho), Manoel Gomes (flauta), Beto Barbosa (1994), entre outras.

Mais um samba amaxixado que, de acordo com o fascículo Nova História da Música Popular Brasileira, da Editora Abril, foi lançado primeiramente com o título de “Cassino maxixe” - com letra do poeta e teatrólogo Bastos Tigre - na peça “Sorte grande” levada em cartaz no Teatro Cassino em 1926. No ano seguinte, foi gravada por Francisco Alves pela gravadora Odeon, mas ao que se sabe, não teve nenhuma repercussão. Eis a letra original:

A maçã melhor é a proibida
Que entre Adão e Eva é repartida.
Ela morde tal fruto saboroso
E oferece ao homem que o aceita pressuroso.

Ai que fruta boa a tal do amor.
Põe água na boca da pessoa
Quem a come encontra tal sabor
Que quanto mais come mais lhe cresce a fome.

Mas comendo a fruta proibida
O homem feliz sorri da vida
Entretanto a mulher as vezes sente
Certa aflição no estômago doente.

Em 1928, mantendo sua abertura original, Sinhô mudaria o título, a letra e um pouco da melodia do estribilho, a fim de lançá-la na revista teatral “Seminua”, de Paulo Magalhães, encenada no Teatro Fenix com a graciosa interpretação da atriz Luiza Fonseca. Posteriormente, a gravação suave e brejeira de Mário Reis (também pela Odeon e finalmente com o gênero "samba") deram a “Gosto Que Me enrosco” a definitiva consagração.

Uma nuvem de incertezas recobre a autoria da música, que foi insistentemente reivindicada pelo músico e artista plástico Heitor dos Prazeres, numa das grandes polêmicas registradas na história da Música Popular Brasileira. Segundo ele, Sinhô havia-lhe roubado não só “Gosto Que Me Enrosco” como também outro samba intitulado “Ora Vejam Só”, gravado com grande sucesso por Francisco Alves em 1927. "A melodia viva e o ritmo saltitante do “Ora Vejam Só” e o lirismo, malandro de “Gosto Que Me Enrosco” chegaram aos ouvidos de Sinhô ninguém sabe como. O fato é que, no carnaval de 1929, entre as músicas de maior sucesso, lá estavam os dois sambas que levavam a assinatura de J. B. da Silva (Sinhô)".

Para desmerecer a figura do compositor, que àquelas alturas já era conhecido como "O rei do samba", Heitor dos Prazeres compôs “Olha Ele, Cuidado” e o "samba crítico" “Rei dos Meus Sambas”:

"Eu lhe direi com franqueza
Tu demonstras fraqueza
Tenho razão de viver descontente
És conhecido por "bamba"
Sendo "rei" dos meus sambas
Que malandro inteligente.

Assim é que se vê
A tua fama Sinhô.
Desta maneira és rei
-Eu também sou!

Eu sei que este é
O teu modo de viver...
Só não adoto
É o teu proceder."

A fim de tirar satisfações e sobretudo receber a sua devida gratificação, Heitor procurou insistentemente o compositor, até que ouviu dele a promessa de que esse lhe entregaria uma parte da quantia referente aos direitos autorais que lhe cabiam. Isso nunca chegou a acontecer, pois a própria fama de Sinhô tratou de obscurecer o ocorrido.

"Gosto Que Me Enrosco" foi o tema de abertura do seriado da TV Globo "Sexo Frágil" (2003/2004 - Zéu Britto) e também esteve presente na trilha sonora da novela "Kananga do Japão" (1989/1990 - Mário Reis).

GOSTO QUE ME ENROSCO
(Sinhô)

Não se deve amar sem ser amado
É melhor morrer crucificado
Deus nos livre das mulheres de hoje em dia
Desprezam o homem só por causa da orgia.

Gosto que me enrosco de ouvir dizer
que a parte mais fraca é a mulher
Mas o homem com toda a fortaleza
desce da nobreza e faz o que ela quer.

Dizem que a mulher é parte fraca
Nisto é que eu não posso acreditar
Entre beijos e abraços e carinhos
o homem não tendo é bem capaz de roubar.

Fonte: Ao Chiado Brasileiro

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