terça-feira, 20 de novembro de 2012

Nervos de Aço

Amores impossíveis, paixões desesperadas, mulheres volúveis, infiéis, tudo isso faz parte do mundo explorado por Lupicínio Rodrigues(1914-1974) em sua obra. Ninguém melhor do que ele cantou a dor-de-cotovelo em nossa música popular. O exemplo maior de seu estilo é o samba "Nervos de Aço", uma história de traição amorosa e de protesto contra o conformismo de pessoas traídas.
Só que o protesto é passivo, pois o protagonista também não age, limitando-se a se queixar: "Eu só sinto que quando a vejo / me dá um desejo de morte e de dor". Na realidade, este samba surgiu de uma grande desilusão de Lupicínio, quando a mulata Inah, a paixão de sua vida, abandonou-o após seis anos de romance. Razão do abandono: o poeta prometia, mas não se decidia a casar...

Segundo Lupicínio, a perda de Inah foi o maior golpe de sua vida. Ela foi sua primeira namorada, primeira noiva e primeira e maior desilusão. Foi também a primeira mulata de sua vida.
O romance iniciado em Santa Maria/RS não resistiu à relutância de Lupicínio em se casar. Inah entretanto se casou. Quando Lupi encontrou-a de braços dados com outro sentiu um misto de “ciúme, despeito, amizade ou horror”. Talvez devido a essa grande desilusão, Lupicínio nunca mais se livrou da dor-de-cotovelo, expressa em suas canções.

A música “Nervos de Aço” fez grande sucesso na voz de Francisco Alves. Mais tarde ficou também imortalizada na voz de Paulinho da Viola. Muitos outros grandes nomes da MPB gravaram esse esplendoroso samba-canção.

A música esteve na trilha sonora das novelas “América (2005 - Leonardo) e “Os Ricos Também Choram” (2005/2006 - Paulinho da Viola), nas minisséries “Queridos Amigos” (2008- Paulinho da Viola) e “Aquarela do Brasil” (2000 – Paulinho da Viola)


NERVOS DE AÇO
(Lupicínio Rodrigues)

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Nos braços de um outro qualquer

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nenhum pedaço do meu pode ser

Há pessoas com nervos de aço
Sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que passo
Talvez não lhes venha qualquer reação

Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, despeito, amizade ou horror
Eu só sei é que quando a ejo
Me dá um desejo de morte ou de dor .

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