quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Assum Preto

A toada “Assum Preto” é mais uma das composições de sucesso da dupla Luiz Gonzaga (1912-1989) e Humberto Teixeira (1915-1979).

A obra foi composta pela dupla em 1950 e tornou-se mais um clássico nordestino, não somente pela bela melodia bem como pela letra forte e extremamente poética. Além de denunciar a violência contra o animal (“Tarvez por ignorança / Ou mardade das pió / Furaro os óio do Assum Preto /Pra ele assim, ai, cantá mió”), a letra ainda compara o canto triste do animal com o canto triste do poeta que lamenta a perda de seu grande amor (“Assum Preto, o meu cantar / É tão triste como o teu / Também roubaro o meu amor / Que era a luz, ai, dos óios meus”).

Há também a questão da inocência do sertaneja, carente de inoframações, justificando o ato de cegar os olhos do Assum Preto (“Tarvez por ignorança...”).

A toada foi gravada por grandes nomes da MPB além de Luiz Gonzaga. Poemos destacar as gravações de Gonzaguinha (em dueto com o pai Gonzagão), Elba Ramalho, Gilberto Gil, Gal Costa, dentre outros.

“Assum Preto” aparaece na trilha do filme “Eu, Tu, Eles” (2000 – Gilberto Gil)


ASSUM PRETO
(Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)

Tudo em vorta é só beleza
Sol de Abril e a mata em frô
Mas Assum Preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor (bis)
Tarvez por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do Assum Preto
Pra ele assim, ai, cantá mió (bis)
Assum Preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil vez a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá (bis)
Assum Preto, o meu cantar
É tão triste como o teu
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus.

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