terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sangrando

A bela “Sangrando” foi composta por Luiz Gonzaga Nascimento Filho, o inesquecível Gonzaguinha (1945-1991). Foi incluída no disco “Gonzaguinha – De Volta ao Começo”, de 1980.

Filho adotivo do grande Luiz Gonzaga, Gonzaguinha morreu em um acidente automobilístico. Alguns dos maiores clássicos da história recente de nossa música popular, dentre eles “Sangrando”, estão nos 16 discos que ele gravou.
Gonzaguinha em suas letras traduzia o momento político vivido pelo país à época da ditadura e da censura política. Através de suas letras poéticas denunciava o opressor momento político que o país atravessava, conforme fez em “Sangrando”.
No poema-canção Sangrando, Gonzaguinha faz uma chamada a seus interlocutores para “penetrarem no reino surdo das palavras”

Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando
Coração na boca, peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

No apelo feito pelo poeta – “Por favor entenda” – ele pede a cumplicidade dos seus interlocutores para que suas palavras sejam “lidas” e depreendidas de forma contextualizada – “palavra por palavra” – , pois o que ele quer cantar “são as lutas dessa nossa vida” que ele está impedido de fazer explicitamente pelas “vozes que negaram liberdade concedida”. Claramente está posta a impossibilidade do falar de forma aberta aos seus interlocutores.

Daniel Gonzaga no 'Som Brasil - Gonzaguinha', em 1996, em uma primeira homenagem ao pai. Ele canta 'Sangrando' com imagens de Gonzaguinha ao fundo.


SANGRANDO
(Gonzaguinha )

Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando

Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a raça e emoção

E se eu chorar
E o sol molhar o meu sorriso
Não se espante, cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar

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