quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Chiquita Bacana

A idéia de compor "Chiquita Bacana" partiu de João de Barro, Braguinha (1907-2006), que propôs a Alberto Ribeiro (1902-1971) aproveitarem o existencialismo como motivo de uma marchinha. Na realidade, a idéia inspirava-se na imprensa da época que explorava com frequência o existencialismo - Sartre, Camus, Simone de Beauvoir e, principalmente, o lado não-científico do movimento, que abrangia os "existencialistas" boêmios, habitués das caves parisienses, seus costumes exóticos etc.

Naturalmente, o objetivo da dupla ao escrever a marchinha era fazer uma referência espirituosa ao assunto, para isso criando a figura de "Chiquita Bacana", beldade que "Se veste com uma casca de banana nanica". Sem dúvida, o comportamento da moça é inusitado, mas perfeitamente justificável, pois "Existencialista com toda razão" ela "Só faz o que manda o seu coração". Genolino Amado chegou a dizer numa crônica que esses versos eram a melhor definição do existencialismo que ele conhecia.

Além de dar a Braguinha a vitória no carnaval de 1949, pelo terceiro ano consecutivo, "Chiquita Bacana" tornou-se uma de suas composições mais conhecidas, batendo, inclusive, o recorde de alcance geográfico de sua obra: foi gravada nos Estados Unidos, Argentina, Itália, Holanda, Inglaterra e França, onde, com o título de "Chiquita madame de la Martinique", e com versos de Paul Misraki, integra as discografias de Josephine Baker e Ray Ventura.

A primeira gravação de “Chiquita Bacana” foi realizada por Emilinha Borba e ficou imortalizada na voz da cantora.

A música esteve presente na trilha sonora do filme francês "Odette Toulemonde"(2007) com o nome de "Chiquita Madame", interpretada por Nicola Piovani.

CHIQUITA BACANA
(Alberto Ribeiro / João de Barro)

Chiquita Bacana
Lá da Martinica
Se veste com uma casca
De banana nanica

Não usa vestido
Não usa calção
Inverno pra ela
É pleno verão
Existencialista
Com toda razão
Só faz o que manda
O seu coração.

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