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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Pavão Misterioso

"Pavão MIsterioso" foi composta pelo cearense Ednardo (1945) em 1974 e incluída na trilha sonora da novela "Saramandaia" (1976 e 2013), da TV Globo.

Ednardo
A canção foi composta com base na literatura de cordel e possui mais de 20 regravações, tanto no Brasil (Belchior, Elba Ramalho) como no exterior (Paul Mauriat). Lançada em plena vigência da ditadura militar em nosso país, possui uma crítica ferrenha ao autoritarismo e a ausência da liberdade individual.

O cordel no qual Ednardo baseou sua grande composição chama-se "O Romance do Pavão Misterioso", escrito por José Camelo de Melo Rezende, em 1923. Conta uma aventura aparentemente despretensiosa, mas de grande apelo popular, com raízes nos contos das Mil e uma Noites. "O Pavão Misterioso” possui 141 estrofes de seis versos (sextilhas) de sete sílabas (redondilha maior). É narrada a história da Condessa Creuza, a moça mais bonita da Grécia, conservada pelo pai trancada desde a infância no mais alto quarto de um sobrado.Uma vez no ano, a moça aparece por uma hora ao povo, que vem de longe, só para contemplar-lhe a beleza. Um retrato dela chega até a Turquia, onde mora Evangelista, que se apaixona pela bela figura da jovem. Dirigindo-se à Grécia, ele encomenda a um engenheiro um mecanismo alado – o Pavão Misterioso do título – a bordo do qual consegue chegar até o quarto da moça, raptando-a, depois de vários perigos e dificuldades.

A música é considerada sagrada pelos índios do Xingu nos rituais religiosos. Também usada por outros tantos como hino à liberdade, a beleza humana e sua capacidade de realizar a vida acima das aparentes impossibilidades.

PAVÃO MISTERIOSO
(Ednardo)

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...(2x)

Pavão misterioso
Nessa cauda
Aberta em leque
Me guarda moleque
De eterno brincar
Me poupa do vexame
De morrer tão moço
Muita coisa ainda
Quero olhar...

Pavão misterioso
Meu pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...
Pavão misterioso
Meu pássaro formoso
No escuro dessa noite
Me ajuda, cantar
Derrama essas faíscas
Despeja esse trovão
Desmancha isso tudo, oh!
Que não é certo não...

Pavão misterioso
Meu pássaro formoso
Um conde raivoso
Não tarda a chegar
Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos
Mas não podem voar...

Fonte: O Planeta é nosso.


                                                                         Ednardo


                                                             Ney Matogrosso

                                                                  Paul Mauriat

                                                                  Elba Ramalho


O Mundo É Um Moinho

Esta é mais uma composição do grande mestre Cartola, Angenor de Oliveira (1908-1980).

Há uma grande polemica sobre a composição de "O mundo é um moinho" que Cartola compôs para sua filha adotiva, a cantora já falecida Creusa Cartola (Creusa Francisca dos Santos). Porém, de acordo com relatos anteriores, teria sido composta para a filha prostituta do compositor. Mas, segundo relato da filha mais velha de Creusa, Irinéa dos Santos ( 1927-2002), Cartola compôs essa música baseado em sua passagem pela adolescência, e com a curiosidade normal de uma púbere de 16 anos por namoros. O compositor então expressou sua preocupação como qualquer pai em relação a uma menina adolescente, e resolveu assim fazê-lo através desta composição, que é uma das mais importantes dentre seu acervo.

A canção foi gravada em 1976 por Cartola. Posteriormente recebeu inúmeras regravações, de Nelson Gonçalves a Cazuza, dentre tantos outros.

Cartola
Muitos cantores, inclusive Cazuza, cantam um trecho de modo diferente do original, composto por Cartola. Cazuza diz: ¨vai triturar teus sonhos tão mesquinhos¨, afirmando assim que os sonhos são mesquinhos. Já Cartola (e assim também gravou Ney Matogrosso) canta: ¨vai triturar teus sonhos, tão mesquinho¨, no singular, qualificando assim o mundo de mesquinho.

O MUNDO É UM MOINHO
(Cartola)

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar

Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó

Preste atenção querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés.












Portela na Avenida

O samba-exaltação "Portela na Avenida" foi composto em 1981 por Paulo César Pinheiro (1949) e Mauro Duarte (1930-1989).

A portelense Clara Nunes vivia pedindo ao marido, Paulo César Pinheiro, um samba em homenagem à sua escola. Acontece que o poeta sentia-se meio inibido para a tarefa, pois, além de ter um coração mangueirense, achava que já existia uma obra definitiva sobre a Portela, o samba “Foi um Rio que Passou em Minha Vida”, de Paulinho da Viola. Mesmo assim, para agradar à mulher, começou a pensar no assunto e até criou uma pequena célula melódica que não conseguiu desenvolver a contento.

Paulo César Pinheiro
Um dia, quando menos esperava, encontrou a ideia numa sala de sua própria casa, onde Clara havia montado um altar para as suas devoções: a imagem de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, uma santa negra com o seu manto azul e branco (as cores da Portela), o pombo de asas abertas, representando o Espírito Santo (a águia portelense), enfim, a combinação do místico com o profano (procissão religiosa/desfile carnavalesco) forneceu-lhe o ponto de partida para a composição que, desenvolvida com o parceiro Mauro Duarte, resultou no belo samba-homenagem “Portela na Avenida”:

Lançada por Clara Nunes no final de 81, “Portela na Avenida” se consagraria no carnaval de 82, tornando-se a partir de então a música que esquenta a bateria portelense antes de cada desfile. Com o seu sucesso, Paulo César resolveu homenagear também as outras grandes escolas, começando pelo Império Serrano, com o samba “Serrinha”, gravado por Clara. No total, seriam dez sambas dos quais oito foram gravados (dois por Clara e seis por Alcione), permanecendo inéditos em disco (até 1998) os referentes a Vila Isabel e Caprichosos de Pilares.

Mauro Duarte
Paulo César Pinheiro está, assim, para as escolas de samba, como Lamartine Babo, para os clubes do futebol carioca, que homenageou em onze marchas. Detalhe: em 1968, a Mangueira seria exaltada pelo portelense Paulinho da Viola (em parceria com Hermínio Bello de Carvalho) no samba “Sei Lá Mangueira”; em 1981 chegou a vez de a Portela ser homenageada pelo mangueirense Paulo César Pinheiro (em parceria com Mauro Duarte). Estabeleceu-se assim um curioso empate em que todos saíram ganhando.

Fonte: A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34.

PORTELA NA AVENIDA
(Paulo César Pinheiro / Mauro Duarte)

Portela
Eu nunca vi coisa mais bela
Quando ela pisa a passarela
E vai entrando na avenida
Parece
A maravilha de aquarela que surgiu
O manto azul da padroeira do brasil
Nossa senhora aparecida
Que vai se arrastando
E o povo na rua cantando
É feito uma reza, um ritual
É a procissão do samba abençoando
A festa do divino carnaval

Portela
É a deusa do samba, o passado revela
E tem a velha guarda como sentinela
E é por isso que eu ouço essa voz que me chama
Portela
Sobre a tua bandeira, esse divino manto
Tua águia altaneira é o espírito santo
No templo do samba

As pastoras e os pastores
Vêm chegando da cidade, da favela
Para defender as tuas cores
Como fiéis na santa missa da capela

Salve o samba, salve a santa, salve ela
Salve o manto azul e branco da portel
Desfilando triunfal sobre o altar do carnaval.










Na Cadência do Samba

"Na Cadência do Samba" é um delicioso samba-canção composto por Ataulfo Alves (1909-1969) e Paulo Gesta.

Convidado por Humberto Teixeira, em 1961 participou junto com As Pastoras de uma caravana de divulgação da musica popular brasileira na Europa. Lá, Ataulfo apresentou "Mulata assanhada", composição própria e "Na cadência do samba", parceria com Paulo Gesta, que acabara de lançar, ambas composições se tornaram grandes sucessos. Gravou-a no ano seguinte, em 1962. Há algumas referências à participação de Matilde Alves na composição também, porém o fato não é totalmente confirmado. Talvez o fato se deva ao preconceito existente à época da participação de mulheres em composições de samba.

Ataulfo Alves

“Na cadência do samba” fez muito sucesso na década de 1970, com uma regravação do grupo Novos Baianos. Depois, também foi ouvida nas rádios em 2000, como faixa do disco "Com você...meu mundo ficaria completo", de Cássia Eller. Sem falar que é presença garantida no repertório de qualquer showzinho de samba.


NA CADÊNCIA DO SAMBA

(Ataulfo Alves / Paulo Gesta)

Sei que vou morrer
Não sei o dia
Levarei saudades da Maria
Sei que vou morrer
Não sei a hora
Levarei saudades da Aurora
Quero morrer numa batucada de bamba
Na cadência bonita do samba


Mas o meu nome ninguém vai jogar na lama
Diz o dito popular
Morre o homem e fica a fama
Eu quero morrer numa batucada de bamba
Na cadência bonita do samba
Quero morrer numa batucada de bamba
Na cadência bonita do samba.















O Canto da Ema

Pelo que consta, "O Canto da Ema" é uma composição de João do Vale (1933-1996) com Ayres Viana e Alventino Cavalcanti (1920).

João do Vale

A dúvida sobre a parceria ao lado de João do Vale existe pelo fato de encontrarmos depoimentos vários a respeito das vendas de parcerias que João realizou de grande parte de suas músicas com o fim de obter dinheiro. José Cândido, um dos mais importantes parceiros dele (co-autor de "Carcará", a mais famosa e conhecida das composições de João), com quem vimos mantendo contato e estabelecemos uma cordial relação de amizade, tem relatado episódios muito curiosos a esse respeito. João, sempre em dificuldade financeira, não titubeava em oferecer a parceria a quem se dispusesse a isso, conta José Cândido, que também era compadre de João. Afirma que acompanhou o "nascimento" de algumas composições que vieram a ser grande sucesso de audiência, sendo regravadas por vários nomes de destaque da Música Popular Brasileira e que se o quisesse (o que não fizera por uma questão de princípios) figuraria como parceiro. Dentre algumas dessas músicas citadas por José Cândido constam "Peba na pimenta"e "Pisa na fulô" que foi grande sucesso na voz de Ivon Cury e, depois, com Alceu Valença, entre outros. E, ainda, segundo José Cândido, Luís Vieira, outro importante parceiro de João e quem primeiro lhe deu atenção e importância, num dos seus maiores sucessos, a música "O menino de Braçanã", tinha como parceiro real o próprio João do Vale e não quem consta, ao qual esse vendeu a parceria. "Cheiro da Carolina", sucesso de Luiz Gonzaga no Nordeste consta como composição de Zé Gonzaga e Amorim Roxo. No entanto, é amplamente sabido que se trata de mais uma das músicas vendidas por de João do Vale.

Alventino Cavalcanti

"O Canto da Ema" lançada por ele originalmente em 1956, pela Copacabana, foi uma das músicas de maior sucesso do repertório de Jackson do Padeiro.

O CANTO DA EMA
(João do Vale/Ayres Viana/Alventino Cavalcanti)

A ema gemeu no tronco do jurema
Foi um sinal bem triste, morena
Fiquei a imaginar
Será que é o nosso amor, morena
Que vai se acabar?
Você bem sabe, que a ema quando canta
Traz no meio do seu canto um bocado de azar
Eu tenho medo, morena, eu tenho medo
Pois acho que é muito cedo
Pra essa amor acabar
Vem morena, vem, vem, vem
Me beijar, me beijar
Dá um beijo, dá um beijo
Pra esse medo se acabar.







Por Causa de Você

“Por causa de você”, outra pérola da canção-amor, composição de Tom Jobim (1927-1994) e Dolores Duran (1930-1959) lançada no ano de 1957 .

Nasceu de um flash genial de Dolores. Jobim depõe: “ela fez a letra com um lápis de sobrancelha, o instrumento que tinha à mão para não perder aquele ótimo momento de inspiração. Isso aconteceu numa sala da Rádio Nacional quando eu dedilhava a melodia para um grupo de colegas. O Vinícius já preparava uma letra e Dolores fez a dela em cima da perna, em cinco minutos. Depois escreveu na margem do papel: “Vinícius, outra letra é covardia”. A do Vinícius estava quase pronta mas ele abriu mão mantendo a feita por Dolores.” Sábio Vinícius...

Tom Jobim

A primeira gravação ocorreu em 1957 porém não se sabe quem a lançou primeiro já que Sylvia Telles e Dolores Duran o fizeram neste mesmo ano. A canção, ao longo do tempo recebeu inúmeras gravações e algumas versões em outra línguas, como a de Sylvia Telles (1960) em francês "Gardez moi pour Toujors" (Guarde-me para sempre, português) e a de Frank Sinatra em inglês, em 1971, " Don't Ever Go Away" (Nunca se Vá, em português) .

Dolores Duran


POR CAUSA DE VOCÊ
(Tom Jobim/Dolores Duran)

Ah, você está vendo só
Do jeito que eu fiquei
E que tudo ficou
Uma tristeza tão grande
Nas coisas mais simples
Que você tocou
A nossa casa querida
Já estava acostumada
Guardando você
As flores na janela
Sorriam, cantavam
Por causa de você.































Pisei Num Despacho

Samba de 1947 composto por Geraldo Pereira (1918-1955) e Elpídio Viana.

Este samba sincopado e cheio repleto da malandragem carioca foi gravado por vários grandes nomes da MPB, dentre eles Jackson do Pandeiro, Roberto Silva, Bebel Gilberto e Pedrinho Rodrigues, Zeca Pagodinho, dentre outros. A primeira gravação entretanto foi de responsabilidade do grande Cyro Monteiro, em 1947, pela RCA Victor.

Geraldo Pereira

O jornalista Okky de Souza, em artigo publicado no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira afirma: "Dois são os motivos que fazem de Geraldo Pereira um dos maiores sambistas de todos tempos. Primeiro: ele foi o mais brilhante cultor do samba sincopado. Segundo: em suas letras, atuou como um atilado cronista do Rio de Janeiro de sua época".

A letra de "Pisei Num Despacho" é ilustrativa da relação entre as religiões afro-brasileiras e o universo da música popular do século XX, ao contar as consequências negativas, para um sambista, de um incidente envolvendo um tabu religioso.


PISEI NUM DESPACHO
(Geraldo Pereira / Elpídio Viana)

Desde do dia em que passei
Numa esquina e pisei num despacho
Entro no samba meu corpo tá duro
Bem que procuro a cadência e não acho
Meu samba e meu verso não fazem sucesso
Há sempre um porém
Vou à gafieira fico a noite inteira
No fim não dou sorte com ninguém
Mas eu vou num canto
Vou num pai-de-santo
Pedir qualquer dia
Que me dê uns passes
Uns banhos de ervas e uma guia
Está aqui no endereço
Um senhor que eu conheço
Me deu há três dias
O mais velho é batata
Diz tudo na exata
É uma casa em Caxias.







Não Deixe o Samba Morrer

Compositores: Edson Gomes da Conceição (1937) e Aloísio Silva

O sucesso de Clara Nunes, vendendo dezenas de milhares de discos em 1973, chamou a atenção das gravadoras para a possibilidade de vozes femininas serem capazes de lhes render bons lucros. Daí a oportunidade oferecida a cantoras como Alcione, que ganharia as paradas de sucesso no início de 76 com “Não Deixe o Samba Morrer”, faixa de seu primeiro elepê, A voz do samba, lançado no final de 1975.

Edson Conceição

De Edson Gomes da Conceição e Aloísio Silva, dois modestos compositores (e cantores com alguns discos gravados) baianos radicados em São Paulo, este samba e “Etelvina Minha Nega” (de João Carlos, pai de Alcione) foram as únicas músicas do disco escolhidas pela cantora, sendo as demais incluídas pelos produtores Roberto Menescal e Roberto Santana.
“Não Deixe o Samba Morrer” é um belo samba, que impressiona pela qualidade da melodia e cujo tema é anunciado no título (“Não deixe o samba morrer / não deixe o samba acabar! o morro foi feito de samba / de samba pra gente sambar”). Com o sucesso, Alcione, que é também trompetista, estaria em breve sendo convidada para apresentar o programa “Alerta Geral”, da TV Globo. Além disso, graças a esse sucesso e a outras faixas do disco, Alcione conquistou seu primeiro disco de ouro.

"Não Deixe o Samba Morrer" fez parte da trilha sonora do filme "Chega de Saudade" (2008 - Elza Soares e Marku Ribas).

NÃO DEIXE O SAMBA MORRER
(Edson Conceição / Aloísio Silva)

Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba
De samba pra gente sambar

Quando eu não puder pisar mais na avenida
Quando as minhas pernas não puderem aguentar
Levar meu corpo junto com meu samba
O meu anel de bamba entrego a quem mereça usar

Eu vou fica no meio do povo espiando
Minha escola perdendo ou ganhando
Mais um carnaval

Antes de me despedir
Deixo ao sambista mais novo
O meu pedido final.

Fonte: MPB Cifrantiga.

















O Trenzinho do Caipira

É uma composição do grande maestro e compositor brasileiro Heitor Villa Lobos (1887-1959).

Se em primeiro lugar em popularidade das composições de Villa Lobos encontra-se a "Ária" da "Bachianas Brasileiras Nº 5", é o último movimento da "Bachianas Brasileiras Nº 2", a "Tocata" - mais conhecida como "O Trenzinho do Caipira" - que ocupa a segunda posição. Uma de suas obras mais características, demonstra um original colorido orquestral, presente em muitas das partituras do compositor. Aqui também fica evidente a forte impressão que lhe causou a música sertaneja, ouvida em suas viagens pelo interior do Brasil.
Faz parte das Bachianas Brasileiras, compostas por Villa Lobos entre 1930 e 1945.

Villa Loboa

A melodia recebeu letra composta por Ferreira Gullar (1930-2016), muitos anos depois. Ferreira levou algum tempo para conseguir colocar letra nesta obra prima de Villa Lobos. Após inúmeras tentativas, enfim, conseguiu compor uma letra, fazendo com que a obra transfigurasse "O trenzinho do caipira". Gullar na verdade aproveitou de alguns versos de uma de suas obras, "Poema sujo", para manifestar suas lembranças da infância em Alagoas, quando viajava de trem na companhia de seu pai.   

Ferreira Gullar

A primeira gravação coube a Edu Lobo em 1978.
Fez parte da trilha sonora das novelas "Ovelha Negra (1975 - Orquestra Renato de Oliveira) e "Desejo Proibido" (2007/2008 - Boca Livre).

O TRENZINHO DO CAIPIRA
(Villa Lobos / Ferreira Gullar)

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar…

Fontes: Museu Villa Lobos, Wikipédia.












País Tropical

Música lançada no LP "Alegria Alegria Vol. 4 ou Homenagem à Graça, à Beleza, ao Charme e ao Veneno da Mulher Brasileira", do cantor Wilson Simonal em 1969, é uma composição de Jorge Ben, ou Jorge Benjor (1942).

A música “País Tropical” revela uma faceta curiosa de Simonal que era sua capacidade de difundir e criar gírias que rapidamente eram incorporadas ao vocabulário popular. Foi dele a idéia de cortar as palavras ao interpretar a canção de Jorgen Ben e, assim, surgiu, por exemplo, o termo patropi, uma maneira simpática e debochada de se referir ao país sem liberdades do regime militar.


Jorge Ben

Em julho de 1969, Jorge Ben levou Wilson Simonal, seu amigo, para um show de Gal Costa, com quem o primeiro estava tendo um relacionamento. Naquela apresentação, Gal cantou "País Tropical" e Wilson Simonal adorou a música, descobrindo com o seu amigo que ela já estava prometida para ser gravada pela cantora baiana. Simonal marcou um horário no estúdio e, no dia 22 de julho de 1969, carregou Jorge Ben para lá, onde sua banda (o Som Três formado por César Camargo Mariano no piano, Toninho na bateria e Sabá no baixo, mais o naipe de metais e Chacal na percussão) já o aguardava.Chegando lá, o cantor fez Jorge Ben mostrar a música para César que bolou o arranjo em cima da reorganização que o próprio Simonal havia feito, retirando estrofes inteiras e incluindo um bis no qual apenas as primeiras sílabas das palavras eram pronunciadas: assim, "Moro num país tropical" virou "Mó' num pa' tropi". César ainda colocou uma coda em que se apropriava da letra do samba"Eu Sou Flamengo", de Pedro Caetano, que havia sido gravada por Jorge Veiga em 1954, o que acabou levando a um processo no qual o autor ganhou direitos sobre esta versão da música.


Lançada em agosto de 1969, rapidamente a canção tornou-se um enorme sucesso casando com o clima de ufanismo que o regime militar utiliza em sua propaganda no país. Isso acabaria corroborando, futuramente, para a fama de delator que o cantor teria no futuro, embora o mesmo não tenha acontecido com Jorge Ben. A música seria tema de uma sátira de Juca Chaves, intitulada "Paris Tropical" e que geraria a tréplica de Jorge Ben, gravada por Simonal como "Resposta". A canção ainda receberia uma versão em italiano sendo lançada com sucesso naquele país em março do ano seguinte.

"País Tropical" fez parte da trilha sonora do documentário "Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei" (2009 - Wilson Simonal).

Fonte: Wikipedia.


PAÍS TROPICAL
(Jorge Ben)

Moro num país tropical
Abençoado por deus
E bonito por natureza
Mas que beleza
Em fevereiro
Em fevereiro, tem carnaval
Tem carnaval,
Sou flamengo e tenho uma nega chamada teresa (2x)
sambaby, sambaby,
Posso não ser um "band leader"
Pois é
Mas lá em casa todos meus amigos,
Meus camaradinhas me respeitam,
Pois é
E essa é a razão da simpatia,
Do poder, do algo mais e da alegria
Moro num país tropical
Abençoado por deus
E bonito por natureza,
Mas que beleza em fevereiro, em fevereiro
Tem carnaval,
Tem carnaval tenho um fusca e um violão
Sou flamengo e tenho uma nega chamada Teresa.













O Ébrio

Canção composta e lançada em 1936 por Vicente Celestino (1894-1968).

O sucesso permanente da canção "O Ébrio" inspiraria, dez anos depois de seu lançamento, a realização do filme homônimo, recordista de bilheteria em todo o país.Impressionado com o personagem, o público chegaria a identificá-lo com o seu criador, o abstêmio Vicente Celestino. Com efeito, o tema e, principalmente, a forma declamada da interpretação foram fatores decisivos para que se chegasse a tal exagero. A letra dramática, repleta de desventuras e imagens beirando a pieguice, é uma perfeita sinopse para o enredo de um filme, desde o prólogo falado à parte musical propriamente dita. Nesta, o contraste da primeira parte, no modo menor, com a segunda, no modo maior, contribui para ressaltar a tragédia do protagonista.

Vicente Celestino

"O Ébrio", que também inspirou uma peça de teatro (em 1936) e uma novela de televisão (na TV Paulista, em 1965), foi lançado no terceiro disco de Vicente Celestino na Victor, gravadora onde ele permaneceu por 33 anos, até sua morte em 1968.

O Ébrio
(Vicente Celestino)

Recitativo - Falado : Nasci artista. Fui cantor. Ainda pequeno levaram-me para uma escola de canto. O meu nome, pouco a pouco, foi crescendo, crescendo, até chegar aos píncaros da glória. Durante a minha trajetória artística tive vários amores. Todas elas juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com outros, deixando-me a saudade e a dor. Uma noite, quando eu cantava a Tosca, uma jovem da primeira fila atirou-me uma flor. Essa jovem veio a ser mais tarde a minha legítima esposa. Um dia, quando eu cantava A Força do Destino, ela fugiu com outro, deixando-me uma carta, e na carta um adeus. Não pude mais cantar. Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um pedacinho de seu eu: a minha filha. Uma pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de educar. Voltei novamente a cantar mas só por amor à minha filha. Eduquei-a, fez-se moça, bonita... E uma noite, quando eu cantava ainda mais uma vez A Força do Destino, Deus levou a minha filha para nunca mais voltar. Daí pra cá eu fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em pleno picadeiro de um circo. Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio. Ébrio...

Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer
Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou
Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer
Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou
Só nas tabernas é que encontro meu abrigo
cada colega de infortúnio é um grande amigo
Que embora tenham como eu seus sofrimentos
Me aconselham e aliviam o meu tormento
Já fui feliz e recebido com nobreza até
Nadava em ouro e tinha alcova de cetim
E a cada passo um grande amigo que depunha fé
E nos parentes... confiava, sim!
E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo então
O falso lar que amava e que a chorar deixei
Cada parente, cada amigo, era um ladrão
Me abandonaram e roubaram o que amei
Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar
Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição
Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
Este ébrio triste e este triste coração
Quero somente que na campa em que eu repousar
Os ébrios loucos como eu venham depositar
Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo
E suas lágrimas de dor ao peito amigo.

Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Ed 34.











Nada Além

O fox-canção “Nada Além”(1937) foi composto por Mario Lago (1911-2002) e Custódio Mesquita (1910-1945).

"Nada Além" fez parte de uma revista chamada "Rumo ao Catete", que estava em cartaz no Teatro Recreio, RJ, em 1937. A peça tinha o libreto e a direção musical de dois grandes compositores: Mário Lago e Custódio Mesquita. A peça foi um sucesso e lançou no cenário musical do país duas grandes obras, "Nada Além" e a valsa 'Enquanto Houver Saudade".
A canção surgia num quadro cômico romântico, Um homem de aparência bastante simplória examinava os produtos de uma loja. O vendedor insistia, oferecendo uma profusão de mercadorias. Vendo que o homem não se decidia por nenhuma, o inquiria: "Afinal, o que deseja o cavalheiro?" A resposta do homem vinha em forma de canto: "Nada além, nada além de uma ilusão..."
A canção foi interpretada nos palcos de modo operístico pelo tenor Armando Nascimento. Custódio e Mário Lago achavam que a música necessitava de uma voz popular para ser gravada. Logo pensaram em Orlando Silva, que estava no auge de sua carreira na época. Custódio então convidou Orlando para assistir a opereta. Orlando se encantou pela música e pediu para gravá-la o quanto antes.

Mário Lago

Mário relata no livro “Boêmia e Política” a história curiosa de como se processou a venda dos direitos autorais:

“Em 1937, vendi Nada Além, parceria com Custódio Mesquita, para os irmãos Vitale. Eles eram editores e, como era comum na época, fui pedir um vale. A situação estava difícil, acabei vendendo a música que depois estourou. Mas surgiu Amélia, outro estouro, e o Vitale também quis comprar. Finquei o pé e pedi a ele para anular o contrato de venda de Nada Além. Como a música já tinha rendido muito, ele concordou: me pagou os direitos e cancelou o contrato. Concordou também em registrar o copyright de Amélia para mim e o Ataulfo Alves. Mas, na pressa, acabei esquecendo da anulação de Nada Além e aquela música não me rendeu ”nada além” do que recebi”.

Custódio Mesquita

“Nada Além” se destaca na história da MPB por vários motivos. Antes de tudo, ela é simplesmente imortal, sua letra não sofreu nenhuma corrosão, após quase sete décadas. A gravação original, consagrada até hoje, foi feita em 1938 com Orlando Silva, o Rei das Multidões. Nos anos 70, foi a vez de Maria Bethânia interpretar “Nada Além”. Em 1988, exatamente 50 anos depois da gravação original, “Nada Além” foi utilizada como abertura musical da novela “Vida Nova”, da TV Globo na voz de Nelson Gonçalves.
“Nada Além” teve o seu revival no ano de 2005, através do espetáculo teatral e musical “Orlando Silva – O Rei das Multidões”, grande sucesso em São Paulo, Rio de Janeiro e também em Florianópolis.
A canção esteve presente nas trilhas sonoras das novelas “Vida Nova” (1988/Nelson Gonçalves) e “Eterna Magia” (2007/Sidney Magal).



NADA ALÉM
(Mário Lago / Custódio Mesquita)

Nada além,
Nada além de uma ilusão.
Chega bem, é demais.
É demais para o meu coração
Acreditando em tudo que o amor
Mentindo sempre diz,
Eu vou vivendo assim
Feliz na ilusão de ser feliz.
Se o amor
Só nos causa sofrimento e dor
É melhor,
Bem melhor a ilusão do amor.
Eu não quero e não peço
Para o meu coração
Nada Além de uma linda ilusão.

Fonte: Site Caros Ouvintes e A Canção no Tempo vol.1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.














Outra Vez

A belíssima “Outra Vez”, um dos maiores sucessos de Roberto Carlos, foi composto pela brilhante compositora Isolda (1957/2018), com apenas vinte anos, no ano de 1977.

A canção foi composta em homenagem ao irmão de Isolda, Milton Carlos (cantor e compositor), que faleceu um anos antes, em 1976. Milton Carlos faleceu em um acidente de carro com apenas 22 anos de idade.
Embora pareça tratar de um fim de relacionamento amoroso entre um casal, a música traduz a saudade que Isolda sentia do irmão tão querido. Essa foi sua primeira composição sem a parceria do irmão.

Isolda

"Outra vez" tornou-se um grande sucesso na gravação de Roberto Carlos. Teve também inúmeras gravações de outros artistas, como Altemar Dutra, Simone, Emílio Santiago e outros, além das gravações no exterior de Pepino de Capri e Ray Conniff.
“Outra Vez” esteve presente na trilha sonora dos filmes "República dos Assassinos" (1979 - Roberto Carlos) e “Meu nome não é Johnny” (2007 – Selton Mello) e nas trilhas das novelas “ Cobras e Lagartos” (2006- Ivo Pessoa), “Dancin’ Days (1978 – Roberto Carlos) e "Roda de Fogo - internacional(1986 - Pepino Di Capri).

OUTRA VEZ
(Isolda)

Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi, dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha estória
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar
De tudo outra vez....
Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
E o amor mais amigo que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez
Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vêzes
Eu tenha vontade sem nada a perder
Você foi toda a felicidade
Você foi a maldade
Que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.